A Associação Portuguesa de Professores de Inglês (APPI) elogiou, esta terça-feira, a passagem do inglês a disciplina curricular obrigatória no 1.º ciclo, iniciativa que «peca por tardia», e está «expectante» por saber como será implementada.

«Se por um lado a iniciativa é louvável, peca por tardia. Evidentemente vem ao encontro do que a APPI sempre defendeu relativamente à introdução da disciplina de inglês no 1. ºciclo», afirmou o presidente da APPI, Alberto Gaspar, em declarações à Lusa.

O ministro da Educação anunciou na segunda-feira a intenção de os alunos do 1.º ciclo passarem a ter inglês como disciplina curricular obrigatória, tendo pedido ajuda ao Conselho Nacional de Educação para fazer a mudança.

«A APPI concorda evidentemente com a iniciativa, simplesmente estamos expectantes porque não conhecemos, não fazemos ideia como é que essa conversão de extracurricular para curricular vai ser feita, com que perfil de professores, [qual será a] carga horária semanal. Enfim, não sabemos nada», disse Alberto Gaspar.

O dirigente recordou que o inglês foi introduzido no 1.º ciclo no ano letivo de 2005/2006 com caráter extracurricular, «que mantém até hoje, embora com oferta obrigatória, que este ano já não existe».

«Primeiro esteve como uma experiência, em 2005/2006, e depois foram criadas as Atividades de Enriquecimento Curriculares (AEC), juntamente com a Educação Musical e a Atividade Desportiva, sempre com caráter extracurricular. A APPI esteve sempre contra esta medida e disse-o sempre aos vários ministérios da Educação», referiu.

Alberto Gaspar acusou a tutela de, desde julho, ter «usado alguma inconsistência no anúncio de certas medidas, que são medidas e contra medidas».

O presidente da APPI reforçou que «a medida em si é positiva, mas resta saber se vai ser alargada aos quatro anos do 1.º ciclo, se fica pela metade». «Enfim, ficamos à espera», afirmou.