A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) assegurou esta segunda-feira que a roupa de cama da prisão da Carregueira está a ser lavada atualmente na única máquina operacional da prisão e em lavandarias de outros serviços prisionais.

A DGRSP reagia assim a uma notícia divulgada hoje pelo Jornal de Notícias, segundo a qual as capas dos colchões dos guardas prisionais do Estabelecimento Prisional da Carregueira (EPC) não são lavadas há 12 anos e os cobertores dos reclusos há dois anos.

Na resposta, os Serviços Prisionais não esclarecem se, até serem informados da avaria das máquinas, a roupa esteve por lavar (e durante quanto tempo) ou se foi encaminhada para outros locais.

Uma fonte prisional revelou ao jornal que «das quatro máquinas de lavar industriais existentes no EPC, só uma funcionava até há cerca de um mês - as outras estão avariadas há imenso tempo -, altura em que uma fiscalização detetou elevados níveis de monóxido de carbono na lavandaria, o que levou ao seu encerramento».

Numa resposta escrita enviada à Lusa a propósito da notícia do Jornal de Notícias, a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais confirmou a suspensão da atividade da lavandaria e anunciou que «já foi adquirida uma máquina nova, cuja instalação se aguarda para muito breve».

«No passado mês de fevereiro, a pedido da Direção do Estabelecimento Prisional da Carregueira, efetuou-se uma medição de monóxido de carbono, tendo-se verificado valores acima dos recomendados no espaço da lavandaria», adiantou a DGRSP.

Na sequência destes resultados, a atividade da lavandaria foi «pontual e temporariamente suspensa», acrescentou.

«Atualmente a roupa está a ser lavada na máquina que se encontra operacional, estando também a utilizar-se serviços de lavandaria de outros estabelecimentos prisionais», esclareceu.

O Jornal de Notícias escreve que «desde a inauguração da cadeia, em 2002, que os 180 guardas do EPC, Sintra, vivem com medo de apanhar alguma doença, dada a falta de higiene nas camas. Mas os cobertores, colchas e edredões dos 740 reclusos também não são lavados há cerca de dois anos e a roupa de trabalho há dois meses».

Um guarda prisional que presta serviço há mais de uma década na prisão da Carregueira, onde cumprem pena Carlos Cruz, Isaltino Morais, Vale e Azevedo, Jorge Ritto, Carlos Silvino («Bibi»), entre outros, disse ao JN que naquele estabelecimento se vive «num ambiente de porcaria e nojo».

«Já há guardas a dormir em sacos-cama», disse ao jornal.

O presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, Jorge Alves, confirmou esta situação ao jornal, afirmado que «são deploráveis as condições de falta de higiene no EPC».

«Há até suspeitas de que um guarda tenha ficado doente precisamente por causa dessa falta de limpeza da roupa», afirmou Jorge Alves.