“É um ponto de preocupação designadamente o facto de nós estarmos a assistir a sucessivos períodos de greve dos guardas prisionais, que se caracterizam pela inutilização de direitos dos reclusos”, disse à agência Lusa o presidente da APAR, Garcia Pereira, no final de uma reunião com a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz.




“É muito estranho que o mesmo Ministério da Justiça que tanto se empenha numa definição ampla de serviços mínimos e até no decretamento de requisição civil quando se trata de greves dos funcionários judicias, deixe na prática estar a funcionar uma greve dos guardas prisionais, que faz com que os reclusos não sejam conduzidos ao diretor, a diligências judiciais e não abastecidos de produtos absolutamente essenciais”, disse.




“Chegam regularmente casos de violência aos reclusos por parte dos guardas prisionais. Alguns com requinte de malvadez e, ao mesmo tempo, de elevado grau de dolo, com a retirada das placas identificativas para que os agressores não possam ser identificados”, afirmou o advogado.




“Ninguém percebe por que os reclusos têm de comprar o ‘édredon’ ou manta na cantina do estabelecimento prisional, onde é vendido ao dobro do preço do supermercado da área”, disse Garcia Pereira, criticando também a qualidade da alimentação e a falta de medicamentos.