José Sócrates aterrou em Lisboa pouco depois das 21:30. Viajou em classe económica, sentado nos bancos traseiros do avião. Algo pouco habitual já que, por norma, escolhia viajar em primeira classe.

Era o último voo da noite e nas mangas que ligam o aparelho ao edifício principal do aeroporto não havia mais ninguém. Sócrates foi, por iniciativa própria, o último passageiro a sair. Consigo trazia somente bagagem de mão. Dentro do avião tinha ficado a tripulação.

Na manga do avião, uma equipa com sete elementos à civil. Entre estes estava Paulo Silva, o inspetor tributário que lidera a investigação da Operação Marquês no terreno. Só ele falou com José Sócrates.

O ex-governante recebeu o mandado de detenção. Perguntaram-lhe se o queria ler numa sala resguardada do aeroporto ou se preferia seguir para o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e, então aí, conhecer as razões porque tinha sido detido.

José Sócrates foi ainda informado da presença de jornalistas no aeroporto e questionado sobre de que forma pretendia sair das instalações.

Paulo Silva terá recomendado uma saída discreta. O ex-primeiro-ministro abandonou a manga do avião por uma escada de segurança. Desceu para a zona de circulação interna do aeroporto, onde já o aguardava um veículo. Uma área exclusiva para funcionários.

Na verdade, José Sócrates nunca entrou no edifício principal e o percurso que fez foi curto. 

Como dentro do aeroporto só circulam veículos autorizados, foi depois preciso trocar de viatura junto ao parque de estacionamento número dois. Nessa altura, José Sócrates pediu para fumar um cigarro e foi autorizado. Só depois seguiu viagem. Toda a diligência demorou cerca de 15 minutos.

Depois de ser identificado no DCIAP por Rosário Teixeira, o procurador do Ministério Público responsável pela Operação Marquês, foi levado para o Comando Metropolitano da PSP de Lisboa, onde passou a sua primeira noite detido.