Nos últimos quatro anos, 93 mulheres com cancro realizaram a técnica da preservação da fertilidade no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. 

Desde 2010, ano em que arrancou o Centro de Preservação da Fertilidade no CHUC, 145 mulheres, ao todo, tiveram consultas para a criopreservação de ovócitos ou de tecido ovárico. Destas, 93 "realizaram técnica de preservação da fertilidade", antes do início da terapêutica oncológica, refere o CHUC, numa nota de imprensa que é citada pela Lusa.

O Centro de Preservação da Fertilidade conta desde 2014 com novas instalações e surgiu pela importância de se responder "às necessidades reprodutivas de doentes, que irão realizar tratamentos possivelmente comprometedores da sua função reprodutiva futura, designadamente os doentes oncológicos".

Este centro "é o único serviço do Sistema Nacional de Saúde que disponibiliza a técnica de criopreservação de tecido ovárico", diz o CHUC.

Disponibiliza também a preservação de esperma, tendo-o feito a 188 homens até dezembro de 2014, informou em fevereiro à agência Lusa a diretora do centro, Ana Almeida Santos.

"Idealmente, os doentes têm de vir assim que lhes é diagnosticado o cancro", visto que se deve fazer a preservação antes de o tratamento começar. "No momento em que se trata da doença, também se tem que pensar na vida para além do cancro".


Segundo a psicóloga do centro, Cláudia Melo, para além da preservação da fertilidade, a possibilidade de se falar no futuro e de o doente ter um projeto de parentalidade "leva a uma melhor adaptação na sobrevivência" - uma fase com "níveis de depressão e ansiedade muito elevados".

A equipa do CPF é composta por seis médicos, uma psicóloga, dois embriologistas e uma farmacêutica.

O CPF, apesar de estar localizado em Coimbra, está disponível para "servir e tratar" doentes de todo o território nacional.