As 35 horas de trabalho para todos, o fim dos cortes nas horas suplementares e a revisão da carreira técnica são algumas das “promessas não cumpridas” que foram esta quarta-feira simbolicamente devolvidas em forma de prenda natalícia ao ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

Cerca de três dezenas de dirigentes e delegados sindicais concentraram-se esta quarta-feira em frente ao Ministério da Saúde, onde cantaram músicas de Natal com a letra adaptada ao protesto e gritaram palavras de ordem como “A carreira é um direito, sem ela nada feito” ou “Adalberto Fernandes, está tudo como dantes”.

A iniciativa da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS) consistiu em entregar grandes sacos pretos enfeitados com fitas e bolas de Natal, em jeito de sacos de presentes, dentro dos quais “está o sonho dos trabalhadores de terem os seus problemas resolvidos”.

A federação dos sindicatos “não podia deixar passar esta fase natalícia para vir deixar ao ministro da saúde todas as promessas vãs que ele fez à nossa federação, aos nossos sindicatos e aos trabalhadores, que é um conjunto de sacos que representam aquilo que tem sido a prestação do ministro nos últimos tempos, que é um saco cheio de nada”, disse à lusa o dirigente sindical Luís Pesca.

De acordo com o sindicalista, “nenhuma das reivindicações dos trabalhadores foi atendida”, apesar de o sindicato se ter reunido com o ministro logo que o Governo tomou posse, para lhe apresentar as suas reivindicações e preocupações.

“Este ministro, que é muito incipiente, não resolveu nenhuma das questões dos trabalhadores”, disse, apontando logo à cabeça a criação da carreira de técnico auxiliar da saúde, uma “promessa que o ministro fez” de que até ao fim do mês passado daria “feedback dessa possibilidade de negociação”, o que não aconteceu.

Em causa, neste protesto está também a aplicação do vínculo público de nomeação a todos os trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a aplicação das 35 horas de trabalho semanal a todos os trabalhadores, o pagamento do abono para falhas aos trabalhadores que manuseiam valores e o fim dos cortes no pagamento das horas de qualidade e do trabalho suplementar.

Os sindicatos reclamam ainda a revisão e valorização da carreira de técnico de diagnóstico e terapêutica, a revisão da carreira de técnico superior de saúde, a admissão dos trabalhadores necessários ao SNS e a valorização salarial da carreira dos trabalhadores do INEM, acrescentou Luís Pesca.

Entre protestos e cantares, tambores e cornetas, os delegados sindicais ensaiaram mesmo alguns passos de dança, com os sacos de presentes às costas e cartazes erigidos, nos quais se podia ler “35 horas para todos já”, “Não à precariedade, sim à contratação” ou “É urgente aumento salarial”.

Os responsáveis sindicais não foram recebidos por nenhum responsável do Ministério da Saúde, mas foram autorizados a deixar os sacos de presentes no átrio do edifício junto à árvore de Natal.

Dentro daqueles sacos “está o sonho dos trabalhadores de terem os seus problemas resolvidos. Que este ministro os abra e que neste espírito natalício tenha um pouco mais de respeito por estes trabalhadores que são a cara do SNS”, disse Luís Pesca, que entregou ainda uma moção a exigir a imediata abertura das negociações.