A Câmara Municipal de Lisboa recebeu esta quinta-feira o Prémio Geoconservação entregue pela comunidade científica, pelo trabalho desenvolvido na conservação e divulgação de monumentos geológicos e informou querer aumentar o número de percursos pela cidade dedicados a esta área.

O Grupo Português da ProGEO, Associação Europeia para a Conservação do Património Geológico, atribui o galardão com o objetivo de premiar uma autarquia que se distinga na implementação de estratégias de conservação e valorização do património geológico do seu concelho.

A Câmara de Lisboa tem, atualmente, dois circuitos de divulgação de geomonumentos - que podem ser consultados na página da Internet- com indicação de paragens de autocarros ou de metro.

A autarquia quer aumentar a oferta sobretudo para estudantes e integrar os circuitos nas visitas guiadas realizadas pelo departamento cultural, como indicou uma técnica camarária, na cerimónia de entrega do prémio.

Junto dos geomonumentos há painéis informativos com um chavão, indicando se ali foi mar, rio, vulcão ou lago, além das idades geológicas e o mapa de toda a rede de locais de interesse.

O vereador com o pelouro do Ambiente, Estrutura Verde e Energia, José Sá Fernandes, manifestou a sua satisfação por receber o prémio, destacando que a geologia é uma das formas de “conhecer bem Lisboa”, nomeadamente adquirir conhecimentos sobre o “crocodilo de Chelas”, patente no museu geológico, ou ficar a saber que viveram “mastodontes no Lumiar e na Almirante Reis”.

“A geologia conta a história do porquê da calçada ser de basalto e de calcário e a evolução dos cabeços da cidade”, destacou o autarca, que revelou o desejo de, “daqui a dois anos”, Lisboa ser novamente destacada pelo trabalho feito no património geológico.

Na sequência de uma parceria com o Museu Nacional de História Natural, a Câmara de Lisboa classificou oito geomonumentos em 1998, juntando à lista mais dez locais em 2008.

Presente na cerimónia, o professor catedrático Galopim de Carvalho sugeriu que nestes monumentos se aprofundasse a análise da “patine negra”, que resulta da consequência da poluição nas rochas, assim como precisou que “qualquer pedra é um documento, uma história”.

Assim, há muitos geosítios, mas “só alguns têm imponência para serem considerados geomonumentos”, indicou o especialista em geologia.

Nesta entrega do 12º Prémio Geoconservação, Mário Cachão, representante em Portugal do grupo europeu ProGEO, recordou a falta de reconhecimento do património geológico, ao contrário do que já acontece com o “construído/arquitetónico”.

Porém, o professor na Universidade de Lisboa destacou os quatro geoparques nacionais (Açores, Arouca, Naturtejo e Macedo de Cavaleiros) reconhecidos pela UNESCO como “notáveis exemplos de excelência de desenvolvimento sustentado das regiões”.

O responsável revelou que desde o início da distinção já houve “67 autarquias envolvidas” nas candidaturas e que o prémio é apenas simbólico, sendo o reconhecimento do trabalho feito pelos municípios.