A investigadora Maria Manuel Mota, que recebeu esta segunda-feira o Prémio Pessoa 2013, em Lisboa, defendeu que «nada se faz sem dinheiro», por muito boas que sejam as ideias, sublinhando que «a ciência é de todos, para todos».

A cientista, que se tem destacado no estudo da malária, agradeceu as condições que teve para «experimentar, errar e corrigir» e o «enorme privilégio por poder passar os dias a procurar satisfazer uma das mais básicas necessidades humanas: a curiosidade».

Na cerimónia, na qual recebeu o galardão das mãos do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e do presidente do grupo Impresa, Francisco Pinto Balsemão, a docente realçou ainda a falta, em Portugal, de mulheres «como líderes de equipas criativas, a dirigirem institutos de investigação».

Momentos antes, Maria Manuel Mota considerou, numa curta declaração à agência Lusa, que o prémio demonstra que foi «uma boa aposta» a confiança depositada «numa geração que foi formada nos mais altos laboratórios do mundo».

O Prémio Pessoa, promovido pelo grupo Impresa, titular do semanário Expresso, e pela Caixa Geral de Depósitos, é atribuído anualmente à pessoa de nacionalidade portuguesa que se tenha destacado na vida artística, literária ou científica do país.

O vencedor desta 27.ª edição do Prémio Pessoa, no valor de 60.000 euros, foi anunciado em dezembro do ano passado, no Palácio dos Seteais, em Sintra.

Na altura, o júri destacou, sobre a investigadora do Instituto de Medicina Molecular, o «empenho entusiástico no que se pode chamar de cidadania da ciência», uma vez que é também fundadora e presidente da Associação Viver a Ciência, que «tem como objetivo encorajar a filantropia em Portugal».

O júri presidido por Francisco Pinto Balsemão foi ainda constituído por Fernando Faria de Oliveira, ex-ministro do Comércio e Turismo, o sociólogo António Barreto, Diogo Lucena, ex-administrador da Fundação Gulbenkian, o arquiteto Eduardo Souto de Moura e o neurocirurgião João Lobo Antunes.

O elenco de jurados integrou também o ex-Presidente da República Mário Soares, o historiador de arte José Luís Porfírio, Maria de Sousa, catedrática de imunologia, o professor do Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação da Universidade Nova de Lisboa, Rui Magalhães Baião, o musicólogo Rui Vieira Nery e o catedrático na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa Viriato Soromenho Marques.