Agricultores queixam-se de elevados prejuízos provocados pela queda de granizo, na segunda-feira, que destruiu hectares de vinha em Barqueiros, Mesão Frio, e produtos hortícolas e souto no planalto de Jales, Vila Pouca de Aguiar.

«Caiu granizo durante cerca de 10 minutos, mas era com muita intensidade e as pedras eram maiores do que pedras de naftalina. Isso levou a que houvesse destruição da produção das uvas em si e das videiras, porque algumas ficaram totalmente despidas, sem folha nenhuma», afirmou à agência Lusa o diretor da Adega de Mesão Frio, Pedro Pires.

O responsável referiu que o mau tempo que se fez sentir cerca das 17:00 de segunda-feira afetou principalmente a freguesia de Barqueiros, mas atingiu também área até às portas da vila sede de concelho.

«O granizo era tão forte que cortou cachos inteiros, mandou-os ao chão, de maneira que foi assim uma coisa impressionante. Isto é uma região pobre, em que as pessoas vivem da agricultura», salientou.

Segundo Pedro Pires, terão sido afetados cerca de 100 produtores e uma área de cerca de 100 hectares, já que se trata de pequenas propriedades.

O responsável disse ainda que cerca de metade destes lavradores não tem seguro. Os que possuem são os associados da adega.

Pedro Pires referiu que a produção de vinho nesta área terá sido afetada em «cerca de 70 a 80%», num ano que classificou de «normal» para a vitivinicultura e numa altura em que os cachos já estavam totalmente formados nas videiras.

Também o presidente da Junta de Barqueiros, José Branco, falou em avultados estragos nas vinhas, onde se «veem os cachos caídos no chão», mas adiantou que, além da vitivinicultura, a tempestade de granizo atingiu o olival e as hortas.

«E a nível de estradas houve muitos desabamentos de terras para as estradas, entupimentos de linhas de água, ainda houve um ou dois carros que ficaram entupidos na lama. Foram uns minutos assustadores, além do granizo estava a trovoar muito, eram muitos raios a cair aqui em cima da zona», sublinhou.

Mais tarde e mais acima, no planalto de Jales, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, também no distrito de Vila Real, o granizo afetou principalmente as hortas e a área de castanheiro, uma das principais produções da zona.

Norberto Pires, presidente da Junta de Vreia de Jales e produtor agrícola, foi um dos muitos afetados e contabilizou prejuízos na ordem dos «40 a 50 mil euros».

«Aqui em Jales foi a desolação. Estava dentro de uma carrinha e essa carrinha sofreu mossas na chaparia devido à violência do granizo», salientou à Lusa.

Nas suas hortas, onde emprega várias famílias, Norberto Pires perdeu «cerca de 9.000 metros quadrados de alface, meio hectare de alho francês e 2.500 metros quadrados de nabos», culturas que eram todas para venda e das quais não possui seguro.

Agora, o autarca diz que vai ter que recomeçar e substituir as produções que foram destruídas em cerca de 10 minutos de queda de granizo.

Em Vila Pouca de Aguiar, uma casa também foi inundada por causa do mau tempo e a Proteção Civil teve ainda de proceder a operações de limpeza ao longo da Estrada Nacional 2, devido aos entulhos arrastados para a via.