João Gouveia não vai comparecer esta segunda-feira ao debate instrutório no caso do Meco, segundo garantiu à TVI a advogada de defesa do único arguido no processo.
 
No entanto, a advogada não explicou os motivos da ausência do debate instrutório, que começou esta manhã em Setúbal. Ao que a TVI apurou, João Gouveia terá invocado o artigo 300 do Código de Processo Penal, que abrange a renúncia ao direito de estar presente em tribunal, além do direito que já tinha de remeter-se ao silêncio.

O pai de João Gouveia esteve presente em tribunal e garantiu que a «estratégia» do filho «nunca foi o silêncio» e que também ele quer «o apuramento da verdade».

Já os pais das vítimas queriam ter tido a oportunidade de fazer perguntas a João Gouveia.
 
Ao que a TVI apurou, as perícias efetuadas às roupas do único sobrevivente da tragédia detetaram apenas vestígios de algas de água doce e não de água salgada. Os pais dos seis jovens acreditam que esta é mais uma prova de que João Gouveia nunca esteve dentro do mar.

Esta segunda-feira vão ser ouvidas três testemunhas no Tribunal de Setúbal, à porta fechada. O debate instrutório pode, no entanto, ser adiado, uma vez que, ao que a TVI sabe, uma das testemunhas não compareceu por não ter sido convocada pelo tribunal.

João Gouveia é o único arguido do processo e também o único sobrevivente da tragédia que causou a morte dos seis jovens, dois do sexo masculino e quatro do sexo feminino, na praia do Meco, concelho de Sesimbra, no distrito de Setúbal.  

O inquérito instaurado na sequência da morte dos seis alunos da Universidade Lusófona de Lisboa tinha sido arquivado pelo procurador do Ministério Público do Tribunal da Almada, mas o advogado das famílias das vítimas pediu a abertura de instrução, pretensão acolhida por um juiz do Tribunal de Setúbal.  

Em novembro do ano passado, Vítor Parente Ribeiro avançou com um incidente de recusa do juiz de instrução do processo, por alegada proximidade entre este magistrado e o procurador da República que arquivou o inquérito, pretensão que foi recusada pelo Tribunal da Relação de Évora.  

Embora ainda tivessem a possibilidade de recorrer da decisão, os familiares decidiram aceitar a decisão do Tribunal da Relação de Évora e prescindir dos 30 dias que tinham para apresentar recurso, o que permitiu ao juiz do processo, Nélson Escórcio, marcar o debate instrutório para esta segunda-feira.