Uma derrocada ocorreu este domingo praia Maria Luísa, em Albufeira. Não há registo de feridos. Também no Algarve, mas em Benagil, Lagoa, uma embarcação ficou presa numa gruta e cinco pessoas tiveram de ser resgatadas.

Inicialmente, fonte da Autoridade Marítima informou à agência Lusa que duas derrocadas tinham provocado vários feridos.

À TVI, o Capitão do Porto de Portimão, Santos Pereira, afirmou que só na praia Maria Luísa se registou uma derrocada. As informações iniciais davam conta de quatro feridos, mas Santos Pereira sublinhou que "não há vítimas, aparentemente".

"Neste momento temos as equipas no terreno com uma máquina a limpar os detritos. A informação que temos de testemunhas que se encontravam perto do local é que não não estava ninguém no local. Portanto não há vítimas, aparentemente."

Já em Benagil, houve um outro incidente, mas de natureza diferente. Uma embarcação de recreio acabou presa numa gruta e algumas pessoas tiveram de ser resgatadas.

Na praia Maria Luísa estiveram 18 elementos das forças de proteção e socorro, apoiados por sete veículos, refere a Autoridade Nacional de Proteção Civil na sua página de Internet.

A zona onde se registou a derrocada vai voltar a ser inspecionada pelas autoridades ao final do dia com a ajuda de máquinas escavadoras. Em declarações aos jornalistas, o comandante do porto de Portimão disse que quando a maré atingir novamente o ponto mais baixo, as autoridades regressarão ao local para remover os escombros e confirmar que não há pessoas soterradas.

"Garantia [de que não há vítimas] não a posso dar enquanto não removermos todos os escombros, mas há testemunhas que viram e não estava lá ninguém", sublinhou Santos Pereira, adiantando que as operações deverão ser retomadas a partir das 21:00.

Há também uma equipa de mergulhadores a marcar a zona onde se registou a derrocada, para delimitá-la, uma vez que, com a subida da maré, os escombros estão a ficar cobertos pela água.

Santos Pereira aproveitou para apelar aos banhistas para que se afastem das falésias e mantenham a distância de segurança, que é 1,5 vezes a altura da falésia.

Junto ao local da derrocada estavam montados dois chapéu de sol, mas pertenciam aos Bombeiros Voluntários de Albufeira.

Arriba não apresentava risco iminente

Entretanto,  o diretor regional da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) disse que aarriba não estava identificada como sendo de risco iminente.

Segundo Sebastião Teixeira, as arribas "são, por natureza, instáveis" e, por isso, "põem cair a qualquer momento", sendo que 80 por cento das arribas caem devido à ação direta do mar e da chuva, enquanto 20 por cento é por atingirem o limite.

"Pode acontecer a qualquer momento uma arriba desmoronar sem aviso prévio, como aconteceu hoje", frisou aquele responsável, em declarações aos jornalistas, junto à entrada da praia Maria Luísa.

Sebastião Teixeira reiterou ainda que as arribas "são sempre instáveis" e que "nascem para cair", embora não se consiga precisar o momento em que vão cair.

Aquele responsável sublinhou que o risco que as pessoas correm ao frequentarem zonas assinaladas como perigosas é "uma decisão pessoal", chamando a atenção para o número de banhistas que ainda continuam a desrespeitar os avisos.

A colocação de barreiras para que os banhistas não acedam a esses locais é "uma equação impossível" devido à ação do mar, pois obrigaria a que fossem substituídas a cada 12 horas, com a subida da maré, concluiu.

Três escavadoras vão remover escombros

A zona da praia Maria Luísa vai voltar a ser inspecionada durante a noite com a ajuda de três máquinas escavadoras, havendo 1.000 toneladas para remover, sobretudo areia.

"Vamos entrar com três máquinas de grande porte da Câmara de Albufeira que vão remover os escombros para termos a certeza de que não há vítimas", disse à Lusa o comandante da capitania do porto de Portimão, Rui Santos Pereira.

Segundo aquele responsável, o facto de ninguém ter reportado o desaparecimento de um familiar ou amigo naquela praia desde as 13:00, hora em que se registou a derrocada, dá às autoridades "algumas certezas" de que não há pessoas sob os escombros.

O maior acidente com arribas em Portugal ocorreu em 2009

Em 2009, a derrocada de uma arriba na praia Maria Luísa provocou a morte de cinco pessoas e ferimentos em outras duas, no que constituiu o maior acidente com arribas no país desde que há registos oficiais.

Já no ano passado, uma nova derrocada fez cair cerca de 1.000 toneladas de areia durante a madrugada na mesma praia, particularmente concorrida no verão.

Apesar da tragédia ocorrida há sete anos, durante as épocas balneares os avisos colocados nas arribas são frequentemente desrespeitados.