O suspeito de matar quatro pessoas a tiro na Póvoa de Varzim em abril foi acusado de homicídio qualificado pelo Ministério Público, que lhe atribui também a autoria dos crimes de ameaça e detenção de arma proibida.

Segundo a acusação do Ministério Público no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Comarca do Porto, deduzida a 09 de outubro e hoje divulgada na página da Procuradoria-Geral Distrital (PGD) do Porto, o homem terá abatido “a tiro” a antiga companheira, os pais desta e um filho que “aquela tinha de uma anterior relação”.

O caso remonta ao dia 28 de abril quando quatro pessoas, com idades entre os 23 e os 70, foram encontradas mortas na Estela, freguesia da Póvoa de Varzim.

“De acordo com a acusação, o arguido, desavindo com a sua anterior companheira por questões subsequentes à rutura da relação que com ela mantinha, começou a anunciar-lhe que a mataria, assim como a toda a sua família, e imbuído de sentimentos de raiva, avareza e materialismo, foi alimentando esta ideia de pôr termo à vida de tais pessoas”.


De acordo com o Ministério Público, o arguido ter-se-á armado “com uma pistola e com um revólver carregados, assim como com várias munições de reserva, dirigiu-se à Rua Comendador Araújo, na Estela, Póvoa de Varzim, à casa onde na sua anterior companheira vivia com os pais, e abateu-os a tiro, bem como a um filho que aquela tinha de uma anterior relação”.

Segundo informações adiantadas no dia do crime pela GNR do Porto, duas das vítimas terão sido mortas no interior do café, propriedade dos ex-sogros do suspeito, um empresário de 42 anos, e as outras duas terão sido baleadas no interior da residência da família, que tinha ligação direta ao estabelecimento.

A Polícia Judiciária (PJ) emitiu então um comunicado no qual referia que as quatro mortes na Estela ocorreram na sequência de “conflitos com a posse de terrenos e o recebimento das respetivas rendas” entre o alegado homicida e uma das vítimas.

A PJ, através da Diretoria do Norte, referia ainda que os conflitos já se vinham a arrastar “desde há algum tempo”, entre o suspeito, a sua ex-companheira e familiares desta.

Ao arguido, em prisão preventiva desde o dia 29 de abril – data em que foi detido em Valença – estão imputados quatro crimes de homicídio qualificado, três crimes de ameaça agravada, um crime de detenção de arma proibida e um crime de uso e porte de arma sob efeito de álcool.