Os portugueses com problemas de sono vão ter, a partir de sexta-feira, uma linha de apoio telefónico especializada, que pretende responder às necessidades sentidas pelas pessoas depois de uma noite mal dormida e dar alguns conselhos para dormir melhor.

Lançada no Dia Mundial do Sono, a Linha do Sono (707 100 015) vai funcionar todos os dias úteis, entre as 11:30 e as 16:30, com o apoio de dois psicólogos especializados, tendo como «grande objetivo melhorar a qualidade do sono dos portugueses», disse à agência Lusa Filipa Jardim da Silva, da Oficina de Psicologia, promotora da iniciativa.

A linha funciona cinco horas por dia, mas nas restantes horas vai estar disponível um atendedor, no qual as pessoas podem deixar o número de telefone para mais tarde serem contactadas.

A psicóloga contou que o projeto nasceu na sequência de um estudo realizado no ano passado pela Oficina da Psicologia, segundo o qual 54% dos portugueses inquiridos disseram sentir-se cansados após uma noite de sono e cerca de 45% confessaram não dormir bem devido ao ‘stress’, ansiedade ou depressão.

O estudo revelou ainda que só um em cada quatro portugueses se sente revigorado após uma noite de sono, enquanto 46% afirma que, em média, dorme apenas cinco a sete horas por dia e 28% não dorme bem devido a problemas pessoais ou profissionais.

«Foi da preocupação que esses dados levantam que este ano a Oficina de Psicologia criou a primeira linha do sono em Portugal, cujo objetivo é criar um espaço em que as pessoas possam ligar e colocar questões inerentes à qualidade do sono e dúvidas que tenham», disse a psicóloga à Lusa.

Segundo Filipa Jardim da Silva, a linha pretende ser «mais um meio para ajudar os portugueses a valorizarem mais o sono e encontrarem algumas causas possíveis do mau dormir», acedendo ao mesmo tempo a «algumas dicas para dormirem melhor».

Cada vez mais se assiste a «problemas de saúde física e psicológica que decorrem de uma má rotina do sono ou de um sono com má qualidade», para os quais contribui o «ritmo frenético» do dia-a-dia das pessoas em que muitas vezes apenas lhes sobram quatro, cinco, seis horas para dormirem.

A especialista sublinhou que há uma desvalorização do sono, começando a presenciar-se «um certo elogio a quem diz que não precisa de dormir muito, como se fosse uma característica de competência e de mais-valia para muitas pessoas».

Na véspera do Dia Mundial do Sono, Filipa Jardim da Silva deixou algumas dicas para um sono mais tranquilo, como privilegiar entre sete a nove horas do dia para descansar e reduzir a intensidade da luz e do som vinte minutos antes de deitar.

As pessoas também devem ter alguns cuidados com a alimentação no período noturno, como evitar refeições mais pesadas, e ter atenção ao colchão, à almofada, à temperatura e luminosidade do quarto.