O PS considerou esta terça-feira que os cortes na educação e as alterações curriculares dos últimos dois anos contribuíram para os resultados negativos dos exames nacionais dos 6.º e 9.º anos divulgados na segunda-feira.

Os resultados dos exames de Português e Matemática dos 6.º e 9.º anos desceram entre cinco e dez pontos percentuais em relação às médias do ano letivo anterior.

Em declarações à agência Lusa, Rui Santos, deputado socialista e coordenador do PS da área da educação, disse estar «muito preocupado» com os alunos e lembrou que o seu partido já tinha deixado avisos.

«Nós avisámos que isto iria acontecer nos últimos dois anos», afirmou. «Lembro que a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) sempre disse que a extensão dos exames nacionais efetuada por este Governo e por este Ministério punha em causa a qualidade e o rigor do nosso sistema de ensino e o resultado dos exames mostra exatamente isso», explicou.

Segundo o deputado do PS, os cortes na educação, na ação social, as alterações curriculares e a instabilidade nas escolas têm como efeito um pior resultado em todo o sistema educativo.

«Neste momento temos 3,5% do nosso PIB adstrito à educação, a média da OCDE é de 5 por cento. Este corte brutal na educação nos dois últimos anos teve efeitos imediatos. Esta situação e os maus resultados nos exames e destabilização das metas curriculares, que foram agora alteradas contra as associações de pais, prejudicam os resultados», disse.

De acordo com Rui Santos, a estabilização de metas é importante e isso consegue-se ao não alterar constantemente as estruturas curriculares.

«Estou preocupado com o futuro das nossas crianças e jovens. Acho que esta situação só poderá mudar com um investimento na educação sem desestabilização do sistema», concluiu.