O alegado homicida de João Esteves, morto quatro dias depois de ter chegado a Londres em busca de emprego, filmou e fotografou o português na madrugada da agressão, revelou esta terça a acusação.

De acordo com o jornal «Crawley News», o primeiro filme foi feito pelas 02:38 horas e mostra Esteves no chão, a tossir e a gemer, perguntando o que queria ao alegado agressor, que terá ordenado ao português para se levantar.

Segundo o procurador da coroa Paul Valder, responsável pela acusação pública, Palmer terá forçado João Esteves a caminhar mais cerca de 400 metros até uma viela na zona industrial de Three Bridges, em Crawley, localidade 50 quilómetros a sul de Londres.

Ali, o alegado homicida terá espancado o português e apertado o pescoço com um cordel, antes de o abandonar no chão.

«Ele deixou-o a morrer, mas não sem antes tirar algumas fotografias do senhor Esteves no chão», afirmou, citado pelo «Crawley News», o procurador no tribunal criminal de Lewes, onde decorre o julgamento.

Este relato foi construído com base em imagens de videovigilância, que também indicam que ambos estariam embriagados após visitarem bares da localidade.

Daniel Palmer, residente local de 24 anos, detido desde 19 de janeiro, dia da morte do português na sequência de agressões físicas em Crawley, declarou-se inocente ao tribunal.

João Esteves, de 45 anos, natural da região de Lisboa, tinha chegado de avião a Londres apenas quatro dias antes, a 15 de janeiro, para procurar emprego.

Segundo apurou a polícia do condado de Sussex, voltou ao aeroporto dois dias depois, onde dormiu enquanto procurava uma forma de pagar um bilhete de regresso.

Na segunda noite, agentes da polícia e funcionários de Gatwick terão sugerido que se dirigisse à Crawley Open House, instituição que dá apoio a pessoas sem-abrigo.

Porém, esta terá recusado guarida por já não ter camas disponíveis quando João Esteves chegou, pouco depois das 22:00 horas.

Segundo a polícia, os funcionários da organização de solidariedade deram ao português uma bebida quente, comida e agasalhos e aconselharam-no a permanecer do lado de fora do portão até à hora de reabertura do centro, na manhã seguinte.

O português foi encontrado inconsciente pela polícia às 03:25 horas de domingo, num beco próximo.

Ainda foi assistido por paramédicos antes de ser transferido para o Royal Sussex County Hospital em Brighton, mas acabou por morrer, tendo a autópsia realizada confirmado ferimentos graves na cabeça.

Num depoimento publicado na altura pela polícia de Sussex, a irmã contou que João Esteves estava desempregado e vivia com a mãe.

«Ele não era um arruaceiro e nunca lutou com ninguém. Ele evitaria o confronto e não era um homem violento», garantiu Margarida Esteves.

O julgamento, iniciado na segunda-feira, está previsto durar entre três a quatro semanas, como conta a Lusa.