Um estudo da Universidade Católica conclui que os portugueses têm muito orgulho de o ser, apesar do modo como funciona a democracia e a economia, e acham que deveriam unir-se mais no combate à pobreza.

O estudo, que é apresentado hoje na Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, em Lisboa, foi realizado pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica, abrangendo 1.142 portugueses residentes no continente, dos 18 aos 49 anos, com os dados a serem recolhidos entre 15 e 17 de fevereiro.

O inquérito, «Perceções sobre a União dos Portugueses», revela que a maioria dos participantes (60%) sente-se muito orgulhosa em ser português, repercutindo-se esse orgulho mais na história, nos feitos científicos/tecnológicos, desportivos e nas artes/literatura, e menos nos feitos económicos, no modo como funciona a democracia, no sistema da segurança social, na influência política de Portugal no mundo, no tratamento justo/igualitário de todos e nas Forças Armadas.

Apesar do sentimento de orgulho, grande parte dos inquiridos considera que os portugueses são «pouco ou nada unidos» (24%) ou «nem muito ou pouco unidos» (32%), com os mais instruídos, com ensino secundário ou superior, a manifestarem que os portugueses são «algo ou muito unidos» (44%).

Segundo o estudo de opinião, os portugueses deveriam unir-se mais no combate à pobreza (54% das respostas de escolha múltipla), na melhoria do sistema de saúde (45%) e na atenuação das desigualdades económicas e sociais (25%).

As características que mais contribuem para unir os portugueses são a solidariedade (59%), o ter laços familiares (48%), falar a mesma língua (42%), o orgulho de ser português (38%) e o desporto (27%).

O 25 de Abril (84%), os Descobrimentos (77%), a libertação de Timor-Leste (59%), mas também o Estado Novo (50%), a Guerra Colonial (39%), a Descolonização (35%) e a intervenção da «troika» (33%) são os acontecimentos que unem «algo ou muito» os portugueses.

A maioria dos inquiridos sente-se «algo ou muito» ligada a Portugal (84%), apesar de apontar que o país devia ter maior transparência política (48%), maior igualdade de direitos (36%) e mais justiça na distribuição de impostos (32%) para que os portugueses agissem mais a favor de causas comuns.

Mesmo assim, de acordo com a sondagem, mais de metade dos participantes (54%) entendem que o envolvimento dos portugueses em causas de interesse comum é «algum ou muito».

O estudo realça que, para os mais jovens e mais escolarizados, os elementos que melhor definem a imagem de Portugal são o sol e a praia e a gastronomia, ao passo que, para os mais velhos e menos escolarizados, são a seleção de futebol, o fado e a bandeira nacional.

A Expo 98 e o Euro 2004 são os eventos mencionados que «traduzem a capacidade de organização coletiva e de mostrar aos outros as qualidades de ser português».

O inquérito, realizado para a Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, pretende dar a conhecer as perceções dos portugueses sobre graus e fatores de união, e sobre o grau de envolvimento e ligação a Portugal.