A secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, disse esta quarta-feira que as portuguesas têm «muita consciência» da gravidade que é o crime da violência contra as mulheres, como atesta um estudo hoje divulgado.

«O estudo revela que Portugal está entre os dez países com menos casos [na União Europeia]. Ainda assim, sabemos que internamente a situação é grave, que temos muitas mulheres mortas todos os anos, um volume de queixas que tem oscilado, embora diminuído nos últimos anos, entre as 26 e as 29 mil queixas por ano, e sabemos também que há muitos casos que não chegam ao conhecimento das autoridades», disse a governante, em declarações aos jornalistas na Presidência do Conselho de Ministros, em Lisboa.

Teresa Morais destaca a perceção que o estudo transmite nas portuguesas do quão grave é o crime de violência contra as mulheres, significado de que o país tem «muita consciência da gravidade e da situação».

Tal, diz a secretária de Estado, resulta «de vários anos de campanhas de sensibilização, de muitas ações de formação, e de se ter trazido este tema para debate público com muita intensidade».

«No contexto dos países estudados, Portugal aparece numa posição que, do meu ponto de vista, nos conforta no contexto europeu e que mostra que o trabalho que o país anda a fazer há muitos anos nessa matéria, não estando de forma alguma concluído, tem resultados e esses resultados são visíveis», declarou ainda a governante.

Mais de metade das portuguesas reconhece que a violência contra mulheres é «muito comum» em Portugal, apesar de 62% garantirem não conhecer casos no círculo familiar e de amigos, revela o estudo.

Segundo a pesquisa da Agência para os Direitos Fundamentais da UE, realizada em 2012 e cujos resultados foram divulgados na terça-feira, 93% das portuguesas constatam que a violência contra mulheres em Portugal é "muito comum" (60%) ou "bastante comum" (33%).

Apesar de Portugal estar entre os dez países com menos vítimas, o número não deixa de ser igualmente «chocante»: perto de um quarto das portuguesas tem pelo menos um caso de agressão para contar.

O maior estudo sobre violência de género alguma vez realizado na UE - baseado em 42 mil entrevistas a mulheres de todos os 28 Estados-membros - revelou que o cenário não mudou significativamente, apesar das campanhas, e persiste um forte pendor de género: 97% das vítimas de violência sexual, física ou psicológica são mulheres.