Os incêndios florestais consumiram este ano uma área de 15.957 hectares, menos 57 por cento do que em igual período de 2012, segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

O maior incêndio do ano, registado até à data, começou a 09 de julho no concelho de Alfândega da Fé (Bragança) e estima-se que terá consumido uma área aproximada de 13.176 hectares, dos quais cerca de 8.936 são espaços florestais, indica o último relatório provisório de incêndios florestais do ICNF.

Segundo o documento, entre 01 de janeiro e 15 de julho registaram-se 5.489 ocorrências de fogo, metade do que no mesmo período de 2012, quando já tinham deflagrado 11.167.

Os 5.489 incêndios provocaram 15.957 hectares de área ardida, menos 13.179 hectares do que em 2012 (menos 57 por cento).

O documento indica também que o maior número de ocorrências se verificou no distrito do Porto (1.610), seguido de Braga (529) e Aveiro (490), sendo a maioria fogachos, ou seja, incêndios que não ultrapassaram um hectare de área ardida.

O distrito de Bragança é o que apresenta maior valor de área ardida, da qual 97 por cento resulta do grande incêndio de Alfândega da Fé, seguindo Aveiro, com 1.252 hectares.

O relatório provisório destaca igualmente que mensalmente até junho os valores, quer do número de ocorrências quer da área ardida, foram «substancialmente inferiores» às médias mensais dos últimos 10 anos devido à chuva e à primavera ¿mais fria desde 1993¿.

Porém, os primeiros 15 dias de julho contrariam essa tendência com valores superiores à média.

Segundo o ICNF, o mês de julho foi o que registou o maior número de ocorrências (1.940) e de área ardida (11.846 hectares) este ano.

Além do incêndio do distrito de Bragança, este ano registaram-se ainda 11 grandes incêndios, que consumiram mais de 100 hectares.

A época mais crítica em incêndios florestais começou há um mês e este ano o dispositivo tem dez grupos de reforço de ataque ampliado (GRUATA), a participação de cerca de 1.000 reclusos em ações de prevenção e vigilância e a utilização de máquinas de rastos de às ações de combate.

Durante a fase «Charlie» de combate a incêndios florestais, que se prolonga até 30 de setembro, estão operacionais 2.172 equipas de diferentes forças, 1.976 viaturas e 9.337 elementos, além dos 237 postos de vigia da responsabilidade da GNR, segundo o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF).

Até ao final de setembro estão também disponíveis 45 meios aéreos, aos quais se juntam o helicóptero Allouete III e o avião C-295M da Força Aérea Portuguesa, cooperação que este ano vai estar no terreno pela primeira vez.

O DECIF custa este ano 78,5 milhões de euros, o que reflete um aumento de quase cinco por cento em relação a 2012.

Esta semana, o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, afirmou que o dispositivo de combate a incêndios está a responder «de forma excelente», e mostrou-se otimista no balanço da época de fogos.

«Até ao momento, o dispositivo desta fase mais crítica de combate a incêndios florestais tem dado boa conta do recado», regista a Lusa.