Mais de 660 mil pessoas pediram asilo a países europeus em 2014, o número mais alto registado, e, no final do ano, mais de 500 mil candidatos aguardavam uma decisão sobre o seu pedido, segundo um relatório divulgado esta quarta-feira.

A maioria dos pedidos de asilo foi apresentada por cidadãos da Síria (128.000), Balcãs Ocidentais (110 mil) e Eritreia (47.140), segundo o relatório anual do Gabinete Europeu de Apoio ao Asilo (EASO) sobre os pedidos de proteção internacional apresentados a Estados membros da União Europeia, à Noruega e à Suíça (UE+).

Além da Síria, cujo importante número de pedidos representou “um enorme desafio para a UE+”, outros países palco de conflitos registaram um aumento significativo em relação a 2013, como o Afeganistão, país de origem de 42.745 candidatos, mais 53% que no ano anterior, e a Ucrânia, com mais de 14.000 pedidos, 13 vezes o número registado em 2013.

Do Afeganistão, por outro lado, chegou também o maior número de pedidos de asilo de menores não-acompanhados (6.155).

Os principais países de acolhimento foram a Alemanha (202.645), Suécia (81.180), Itália (64.625), França (64.310) e Hungria (42.775).

Contrariamente a Itália, terceiro país mais requisitado pelos candidatos a asilo, os dois outros países mais atingidos pela crise migratória no Mediterrâneo, Grécia e Malta, estão em 14.º e 21.º lugar da tabela de receção de pedidos, com 9.430 e 1.350 pedidos respetivamente.

Apesar da tendência geral de aumento, Portugal registou em 2014 uma redução do número de pedidos, 440 contra 510 em 2013. Desses, apenas 40 tiveram resposta favorável naquele período de tempo.

A Lituânia registou o mesmo número de pedidos que Portugal, mas autorizou mais (50). Atrás figuram a Eslovénia (385), a Letónia (375), a Eslováquia (330) e a Estónia (155).

No final do ano, mais de 500 mil pessoas aguardavam resposta ao pedido apresentado, número que inclui recursos, apesar de um aumento de 10% no número de decisões de primeira instância, que foram 390 mil em 2014.

A maioria das decisões favoráveis foi relativa a pedidos apresentados por sírios, eritreus e apátridas.

No conjunto dos 30 países analisados, apenas cerca de um terço dos pedidos apresentados teve resposta favorável.

O relatório do EASO avalia as principais tendências em matéria de asilo, quer quanto à proveniência dos candidatos quer quanto aos países mais requisitados, a capacidade de acolhimento dos Estados membros e a evolução dos sistemas de asilo nacionais.

No texto de apresentação do relatório, o EASO sublinha que os números já disponíveis para 2015 mostram que o total de pedidos de proteção internacional continua a aumentar.

“Nos primeiros cinco meses deste ano, registou-se um aumento de 68% do número de pedidos de proteção internacional na UE+”, lê-se no documento, que regista por outro lado a emergência de novas tendências, com o Kosovo como país de origem da maioria dos pedidos apresentados entre janeiro e maio de 2015.