Numa altura em que a questão dos refugiados está em cima da mesa, foi conhecido o valor que os portugueses doaram aos refugiados no Líbano. Os portugueses doaram 125 mil euros para apoiar os refugiados no Líbano, um “contributo muito generoso” que permitirá melhorar as condições de vida destas famílias fugidas da guerra, anunciou esta quinta-feira o coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR).

A recolha de fundos decorre, até ao final do ano, no âmbito do programa PAR – Linha da Frente, que se destina a apoiar os refugiados nos países de origem e vizinhos, através do trabalho realizado no terreno pela Cáritas e o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS).

Durante a sessão de apresentação e status da PAR Linha da Frente”, que decorreu no Museu da Eletricidade, em Lisboa, o coordenador da PAR, Rui Marques, destacou “a generosidade” dos portugueses numa altura em que “vivem dificuldades”, mas confessou que o desejo da plataforma é ir “ainda mais longe”.

“125 mil euros é muitíssimo bom, mas pretendemos ir ainda mais longe” e atingir os 200 mil euros até ao final do ano, disse Rui Marques.


Em declarações aos jornalistas, Rui Marques acrescentou que a plataforma pretende continuar este contributo para que famílias e crianças sírias refugiadas no Líbano “possam ter um inverno mais confortável”.

“Esta zona é fria, vamos entrar no inverno e é preciso o nosso apoio”, frisou.

Durante a sessão, o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, observou que o Líbano tem uma população de 4,5 milhões de habitantes, aos quais se acrescem mais 300 mil migrantes, 1,2 milhões de refugiados registados e cerca de 300 mil não registados.

Perante esta realidade, a Cáritas considerou que o Líbano seria “o país mais indicado para receber este apoio”.

“Este primeiro projeto que temos, para já, é de 100 mil euros” e decorre entre janeiro e junho de 2016. Destina-se a assegurar a alimentação de 750 pessoas (150 famílias), a quem serão dados ‘vouchers’ alimentares e produtos de higiene, disse Eugénio Fonseca à agência Lusa.

Para Eugénio Fonseca, a entrega de ‘vouchers’ em vez de alimentos é uma iniciativa “muito interessante”, porque permite estabelecer “relações de afabilidade” entre os libaneses e os refugiados, que vão comprar às lojas locais.

No âmbito do projeto, 120 pessoas terão acesso a cuidados de saúde primários e 60 a cuidados de saúde secundários. “São pessoas que chegam debilitadas, com problemas respiratório, com infeções e a Cáritas tem estado a fazer um trabalho extraordinário no campo da saúde”, sublinhou.

Há ainda outros apoios complementares que são necessários, como a manutenção das tendas. “Já enviamos 80 toneladas de roupa para a Jordânia, mas na Síria vamos tentar que em cada tenda haja climatização para o inverno, que é muito rigoroso naquela zona”, avançou à Lusa.

Com os fundos recolhidos pela PAR Linha da Frente, o Serviço Jesuíta aos Refugiados Líbano pretende disponibilizar uma refeição diária durante um ano a 1.720 crianças refugiadas sírias de cinco escolas na região do Vale do Bekaa, no leste do Líbano, disse o diretor-geral da JRS, André Costa Jorge.

Cada refeição oferecida tem um custo de apenas 0,29 euros, pelo que 102 euros bastam para alimentar uma criança durante um ano, sublinhou André Jorge, acrescentando que para conseguir ajudar todas as crianças envolvidas no projeto, o JRS precisa de angariar cerca de 180 mil euros até ao final do ano.

Segundo o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), mais de 70% dos refugiados no Líbano não têm acesso aos valores nutritivos diários recomendados.