Um sucateiro acusado de recetação num processo relacionado com furtos de cabos de rede da Portugal Telecom alegou esta terça-feira, no Tribunal de Braga, que desconhecia a proveniência ilícita do material que comprava a outros arguidos.

Aquele sucateiro de Polvoreira, Guimarães, confessou que alguns dos coarguidos do processo lhe venderam, várias vezes, quantidades de cobre que oscilariam entre os 300 e os 500 quilos.

Disse que comprava cada quilo por um valor entre os 3,40 e os 3,60 euros, vendendo o cobre depois a outras sucatas com uma margem de lucro «de 20 a 30 por cento».

Só em cinco ocasiões, registadas em pouco mais de um mês, terá comprado mais de 2.200 quilos de «cobre queimado».

«Fazia o meu trabalho normal, não tinha conhecimento de que o material era roubado, nunca me disseram onde arranjavam o cobre», afirmou, sublinhando que por cada compra emitia a respetiva fatura com a quantidade, o preço e os dados identificativos do vendedor.


O processo tem mais 12 arguidos, todos acusados de furto qualificado, mas nenhum destes quis prestar declarações, no início do julgamento.

Os dois principais arguidos respondem por 23 crimes de furto qualificado. Cinco dos arguidos estão em prisão preventiva e uma outra está com obrigação de permanência na residência.

Segundo a acusação, deduzida pelo Ministério Público, os furtos ocorreram nos concelhos de Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Fafe, Cabeceiras de Basto e Montalegre, entre maio de 2013 e junho de 2014.

Os factos reportam-se essencialmente ao furto de cabos da rede de telecomunicações da Portugal Telecom (PT), suspensos entre postes em locais ermos.

A PT, assistente no processo, pede uma indemnização de perto de 68 mil euros.

Entre os factos, contam-se também assaltos a uma residência e a um estabelecimento de sucata.

O grupo foi desmantelado em junho de 2014, numa operação liderada pelo Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Póvoa de Lanhoso e que se traduziu em nove buscas domiciliárias e uma em sucateira.

Na operação, foram apreendidos 6.350 quilos de fio de cobre e mais de 103 mil euros.

A GNR apreendeu também 11 automóveis, seis motociclos, quatro armas de fogo e uma catana, três televisores, 12 telemóveis, dois computadores, uma motosserra e quatro rebarbadoras para corte de metais.

Entre o material apreendido contam-se ainda 45 discos para rebarbadora, uma máquina de polir, uma máquina para corte de metais, um frigorífico, um esquentador e dois compressores.

«Só no dia da busca soube que o cobre tinha proveniência ilícita», alegou ainda o sucateiro arguido no processo.


Este arguido adiantou que ainda hoje continua a comprar cobre queimado, embora com «mais cuidado e mais cautela». «Já não aceito 400 ou 500 quilos», referiu.

Os furtos de cobre deixaram as populações várias vezes e por diversos dias sem telecomunicações.