Por: tvi24 / PP | 14- 4- 2011 9: 26
Portugal, apesar de estar «globalmente mais europeu», está a afastar-se da média europeia em «aspectos decisivos para o
futuro do país», como a fecundidade, disse à Lusa João Ferrão, investigador do Instituto de Ciências Sociais (ICS).
«É
verdade que estamos globalmente mais europeus mas é preocupante que, ao mesmo tempo, nos estamos a afastar em aspectos que
são decisivos para o futuro do país», disse João Ferrão, coordenador dos observatórios do ICS, que esta quinta-feira divulga
uma série de indicadores sociais que ilustram «Portugal no contexto europeu».
Exemplo disso é o índice de fecundidade
que, em Portugal, continua a diminuir, tendo descido dos 1,6 filhos, em média, no período fértil, em 1991, para os 1,3 filhos
durante esse período, em 2009.
Como refere João Ferrão, ao passo que os outros países da Europa já atingiram o grau
mínimo do índice de fecundidade e já voltaram a subir, em Portugal, este indicador continua a descer, o que é sintomático
de um envelhecimento da população.
Também o aumento das disparidades sociais e a diminuição da confiança em entidades
públicas e privadas são exemplos da divergência de Portugal face à União Europeia.
«O índice de fecundidade está
a diminuir, o que significa que vamos envelhecer, estamos a ficar mais díspares do ponto de vista social e estamos também
a afastar-nos da Europa em termos de confiança nas instituições e nos outros e isso também é preocupante», disse João Ferrão.
No
que se refere a indicadores de confiança, Portugal confia mais na televisão e na Comissão Europeia do que os europeus, mas
confia menos nos partidos políticos e na justiça.
Em relação às fontes de informação ambiental, os portugueses confiam
muito pouco nos sindicatos e nas empresas e ligeiramente mais nos professores e nos governos nacionais, sendo que, em 2007,
apenas cerca de 10 por cento dos portugueses afirmava confiar tanto nos governos como na classe docente. As organizações ambientais
e os cientistas são as entidades ambientais em que os portugueses mais confiavam nesse ano, ainda que a tendência seja decrescente.
Começamos
a trabalhar mais cedo
Portugal está «mais próximo» da média europeia em vários indicadores sociais devido ao
comportamento dos mais jovens e escolarizados, o que significa há o risco de se criarem disparidades inter-geracionais no
país.
Em declarações à Lusa, João Ferrão, coordenador dos Observatórios do Instituto de Ciências Sociais (ICS), de
Lisboa, explicou que se estão a «cavar diferenças entre gerações no interior do país», o que «não é necessariamente um problema
mas pode tornar-se num problema».
Portugal é o país da União Europeia cujos cidadãos entram mais cedo para o mercado
de trabalho, com a média de idades do primeiro emprego nos 17,7 anos, contra os 19 anos da média europeia. No entanto, os
portugueses saem de casa, em média, aos 21,6 anos, um valor próximo da média europeia, de 21,1 anos (dados de 2006).
Um
dos indicadores (dados de 2009) em que Portugal está na vanguarda são as licenças de paternidade (quatro semanas), a par da
Lituânia e apenas atrás da Eslovénia (12 semanas).
Quase 70 por cento dos portugueses dão prioridade ao ambiente
sobre a competitividade económica, um valor em linha com a média europeia. No entanto, os portugueses apenas «rara ou ocasionalmente»
assinam petições ou aderem a manifestações sobre o nuclear, a biotecnologia ou o ambiente.
Por outro lado, Portugal
não está bem posicionado na despesa dos agregados familiares em lazer e cultura nem no emprego cultural que, em 2005, representava
apenas pouco mais de um por cento da população activa, o segundo pior desempenho, apenas à frente da Roménia.
Programação - Semana de 23 de Fevereiro a 29 de Fevereiro
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