Jorge Soares, de São João da Madeira, encontrou a 27 de julho, numa praia da zona de Mira, no distrito de Coimbra, a primeira das 30 garrafas do PortoCartoon lançadas em 2008 ao mar.

As 30 garrafas foram lançadas ao mar, a oito milhas da costa, a 11 de dezembro de 2008, por uma unidade da Marinha Portuguesa, com mensagens sobre os Direitos Humanos do PortoCartoon desse ano.

«Já tínhamos posto de parte a possibilidade de encontrar alguma das garrafas lançadas ao mar», admitiu à agência Lusa Luis Humberto Marcos, diretor do Museu Nacional da Imprensa (MNI), entidade responsável pela iniciativa de 2008.

Na tarde de sábado de 27 de julho, Jorge Soares, de 51 anos, a passear pela praia com um grupo de amigos, reparou na garrafa no meio de entulho que deu à costa e contou que a garrafa só lhe chamou a atenção por estar fechada.

Jorge reparou que a garrafa tinha «qualquer coisa dentro» por a luz estar a incidir sobre a mesma. Empurrou a rolha para dentro com um pau e retirou a mensagem.

A folha tinha, de um lado, a informação sobre o PortoCartoon com alguns dos "cartoons" da edição de 2008, e, do outro, os artigos 19.º, 20.º e 21.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos - liberdade de expressão, liberdade de associação e liberdade de voto.

«Dizia que tinha um prémio surpresa, mas aquilo como parecia um folheto nem pensei que fosse verdade», disse, tendo deixado a garrafa e a mensagem onde encontrou, acabando mais tarde por voltar atrás por «pensar que a mensagem deveria ter algum fundamento».

Pesquisou na internet e após algumas tentativas acabou por encontrar a notícia sobre o lançamento das 30 garrafas.

«Achei aquilo engraçado, mas o problema é que as praias são todas uma imundice e se as garrafas acabaram em alguma praia podem muito bem estar no meio de entulho», alertou Jorge Soares, que irá receber o prémio surpresa em setembro.

Luis Humberto Marcos, que recebeu a notícia com «surpresa», afirmou que «estava à espera que aparecesse numa zona mais longínqua».

O diretor do MNI frisou «a importância e universalidade» da linguagem do "cartoon" para relembrar a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

«Evocar e falar dos direitos humanos é necessário porque parece tão rotineiro que às vezes se esquece a sua substância», afirmou Luis Humberto Marcos, considerando que «é um dever» de entidades como o MNI «recordar» esses mesmos direitos.