A população do bairro do Lagarteiro, no Porto, está «desiludida, magoada» e sente-se «discriminada», porque depois do inesperado corte de luz nas habitações, hoje foi surpreendida com o anúncio do encerramento da unidade de saúde local.

«Não é assim que devem funcionar as coisas. Está bem, eles é que sabem, mas não pode ser o quero, posso e mando», desabafou à Lusa a presidente da Associação de Moradores do Lagarteiro, Fernanda Gomes.

O anúncio do encerramento da Unidade de Saúde de Azevedo por motivos de segurança foi colocado esta manhã à porta do centro e, apesar de circular a informação de que o posto iria encerrar, tal não passava de um «falar, falar, falar».

«É muito mau», classificou Fernanda Gomes, «isto é uma mais-valia para Azevedo, S. Pedro e Areias, porque nós não temos mais nada e a população daqui é muito velha».

No local, pairava ao fim da manhã uma intenção da população de tentar impedir, esta tarde, o encerramento da unidade local, marcando uma concentração à porta da unidade de saúde para as 19:00.

Para Fernanda Gomes, quer a Câmara do Porto, quer a junta de freguesia, bem como a população, deve estar «junta» na luta contra o encerramento desta unidade de saúde.

Já quanto ao corte de energia que a EDP Distribuição realizou na quinta-feira em habitações do Lagarteiro, a responsável entende que este é um assunto no qual a autarquia não tem de se meter.

«A Câmara não deve intervir, porque a EDP é uma empresa semiprivada», disse, adiantando, porém, desejar que a autarquia e a empresa, «num tempo futuro, ajeitarem uma solução diferente» que permita à população pagar a tempo e horas a eletricidade.

Definir «um valor na renda para a água e luz, talvez», disse.

Certo é que, apesar dos cortes de eletricidade, na noite de quinta-feira foram feitas novas ligações ilegais para iluminar algumas habitações no bairro.

«Sabe-se mas não se sabe, é verdade mas não é verdade. Algumas casas tinham [luz], porque ou o vizinho do lado deu uma extensão, mas pronto», referiu Fernanda, acrescentando que «durante a noite, onde há crianças, é difícil não ter eletricidade».

«É triste chegar ao ponto a que se chegou», vincou.

Fernanda Gomes entende que uma empresa como a EDP, que«¿tem uma função social», não deve deixar de olhar «para a parte humana».

«Há pessoas com rendimentos tão baixos, às vezes não chegam a 100 euros e eles têm que pagar a renda, a água, a luz. Agora vai tudo morar para debaixo da ponte? Vai começar tudo a vender droga, a praticar más ações?», questionou.

Fernanda Gomes entende que tal não pode acontecer e defende que os habitantes do Lagarteiro deve ser tratados como «cidadãos, humanos e portuenses».

«Vivemos num bairro problemático e temos que ter a vertente humana nesta questão», concluiu.