Uma ex-funcionária de uma creche do Porto, onde sete educadoras e auxiliares estão acusadas de maus-tratos a 33 crianças, confirmou esta quinta-feira em tribunal ter denunciado a situação a alguns pais para que estes atuassem.

“Vi muita coisa naquela creche, desde darem sapatadas e bofetadas às crianças, retirarem-lhes os brinquedos, insulta-las, colocarem-nas numa sala sem luz e em cadeiras de automóveis como castigo por se portarem mal”, disse a testemunha perante o coletivo de juízes do Tribunal São João Novo, no Porto.


Sete funcionárias de uma creche do Porto, entre os 21 e 68 anos, estão acusadas pelo Ministério Público (MP) de 33 crimes de maus-tratos contra todas as crianças, com idades entre três meses e três anos, acolhidas no estabelecimento no ano letivo 2012/2013.

Segundo a acusação, há relatos de crianças presas com cintos de segurança, de sapatadas quando não queriam comer ou dormir, de ameaças e insultos, de palmadas ou de castigos num quarto sem luz natural.

Acrescenta que as arguidas evitavam dar água às crianças para que não urinassem e, consequentemente, não tivessem de mudar de fralda frequentemente.

Um aluno que dizia palavrões levou o tratamento da "pimenta na língua", refere ainda o MP.

A ex-funcionária, que diz ter sido despedida após ter feito a denúncia, afirmou que os alegados maus-tratos às crianças eram “frequentes".

“Muitos dos meninos choravam porque elas [educadoras e auxiliares] não as deixavam brincar, cantar ou fazer barulho”, salientou.


Na primeira sessão de julgamento, no passado dia 06 de outubro, apenas uma das arguidas prestou declarações para negar os factos.

“Se as crianças fossem mal tratadas, eu nunca compactuaria com isso. E ter-me-ia ido embora”, disse, na altura.