A administração do Hospital de São João, Porto, disse hoje à Lusa que a farmácia privada existente nos seus terrenos encerra oficialmente sexta-feira, com uma dívida ao hospital que ultrapassa os 6,2 milhões de euros.

“No dia 26 de junho de 2015 completa-se o prazo de cinco anos previsto no contrato de concessão da farmácia comunitária junto ao Centro Hospitalar de São João (CHSJ). A dívida da empresa concessionária ao CHSJ ascende a 6.209.478,68 euros (mais as dívidas pelo fornecimento de energia e água)”, afirma a administração, em comunicado enviado à Lusa.


O CHSJ refere que tem na justiça este processo há três anos, aguardando ainda a sua resolução.

Em relação ao destino das instalações, a administração do “São João” salienta que “tem várias necessidades em termos de espaços. Uma das possibilidades de utilização do edifício é a instalação da Farmácia de Ambulatório, para melhor servir os utentes”.


A farmácia do Hospital de São João, no Porto, inaugurada em junho de 2010, pela então ministra da Saúde socialista, Ana Jorge, nunca terá pagado, entre outros valores, os 500 mil euros anuais de renda, nem a parcela variável de 15% do valor da faturação anual a que se comprometeu no contrato de concessão.

Das seis farmácias privadas abertas em 2010 junto a unidades de saúde públicas em vários pontos do país, só a do “São João” se mantinha em atividade.

Contra o encerramento definitivo desta farmácia está a decorrer uma petição on-line, individual, da iniciativa do funcionário Nelson Montalvão que visa a recolha de 4.000 assinaturas para a continuação da farmácia ser discutida pela Assembleia da República.

Em declarações ao Jornal de Notícias, Nelson Montalvão disse que “estão em causa 22 postos de trabalho e o serviço a uma grande comunidade de utentes, onde se insere o hospital”.

Segundo o funcionário, “a farmácia é viável, uma vez que atendem, em média, mil utentes por dia”.