Uma ex-secretária-geral do Grupo de Pessoal da Eletricidade de Portugal (EDP), que confessou ter-se apropriado de 757 mil euros da empresa, foi hoje condenada a uma pena de cinco anos de prisão, suspensa na sua execução.

Além dela, o Tribunal São João Novo, no Porto, condenou ainda por coautoria o marido, igualmente arguido no processo, a três anos de prisão, também suspensa.

Os dois vão ter de dar 500 euros ao Banco Alimentar Contra a Fome e à Assistência Médica Internacional (AMI), além de indemnizar o Grupo de Pessoal da EDP.

“Espero que não volte a aparecer-me aqui, o que fez foi muito grave”, disse a presidente do coletivo de juízes à arguida.

Advertindo-a de que se voltar a cometer outros crimes a pena torna-se efetiva, a magistrada explicou que a pena foi suspensa por a mulher ser primária, ter confessado os factos na íntegra e por o risco de voltar a cometer outros ilícitos ser reduzido.

Segundo a acusação, a arguida, no exercício das suas funções, e a quem cabia o processamento das remunerações de todo o pessoal, reduziu indevida e artificialmente os montantes relativos à Segurança Social e à retenção na fonte de IRS, que deveriam ser descontados aos valores brutos do salário.

Desta forma, logrou fazer aprovar pela direção valores superiores aos que deviam ser pagos a cada trabalhador. Posteriormente, ao criar os lotes de transferência, a arguida transferia para os funcionários o valor exato do seu salário e o excesso para contas suas e do marido.

Os arguidos praticaram estes crimes entre 2005 e 2016.

Este comportamento, e ainda o abastecimento indevido de combustível por parte da arguida, causou à entidade patronal um prejuízo de cerca de 757 mil euros.

No início do julgamento, a arguida confessou “sem reservas e integralmente” os factos, dizendo estar “arrependida”.

A mulher disse que desviou o dinheiro da empresa porque estava a atravessar dificuldades económicas devido ao desemprego do marido e ao prejuízo causado por firmas que ambos detinham.

“Não comprei nenhum bem de valor, não comprei nada”, frisou, acrescentando que a verba desviada foi usada exclusivamente em “despesas correntes”.

Durante o seu depoimento, a ex-secretária-geral do Grupo de Pessoal da EDP negou ainda o envolvimento do marido no caso, afirmando que ele nada sabia.