O navio oceanográfico Almeida Carvalho, o último dos quatro navios da Marinha Portuguesa que integram o parque subaquático para mergulho no Algarve, foi hoje afundado ao largo de Portimão, operação que os promotores classificaram «como um êxito».

«Decorreu tudo como tinha sido previsto e, uma vez mais, foi um êxito. O navio ficou posicionado tal como tinha sido planeado», disse aos jornalistas Alberto Braz, coordenador das operações do projeto Ocean Revival.

De acordo com aquele responsável, a operação «foi um êxito, apesar de algumas condicionantes provocadas pelas condições do mar no local onde o navio foi afundado».

«Infelizmente aconteceram coisas que não são hábito, como cabos rebentarem, os ganchos dos rebocadores abrirem e deixarem fugir o cabo, imprevistos que nos levaram um pouco mais de tempo», lamentou Alberto Braz.

O afundamento do «Almeida Carvalho» iniciou-se pelas 13:55, cerca de uma hora depois do previsto, através de explosões controladas que provocaram diversos rombos no casco provocando a sua imersão em um minuto e dois segundo.

As operações de colocação e rebentamento dos explosivos foram efetuadas por técnicos canadianos e coordenadas pela Marinha Portuguesa, que procedeu depois à primeira inspeção técnica para verificar a estabilidade do navio.

Cerca de 40 minutos após o afundamento, os mergulhadores da Marinha fizeram a primeira inspeção e confirmaram que o navio "caiu direitinho no fundo, e deram o 'ok' para que se iniciem os mergulhos", disse Alberto Braz.

O navio Almeida Carvalho juntou-se à fragata Hermenegildo Capelo, afundada no passado mês de junho, à corveta "Oliveira e Carmo" e ao navio-patrulha "Zambeze", ambos afundados no final de 2012, compondo o parque subaquático para mergulho do Algarve.

Os navios que durante cerca de 40 anos serviram a Armada Portuguesa estão "sepultados" no mar, assentes num banco de areia a 30 metros de profundidade a três milhas a sudoeste de Portimão (uma milha náutica equivale a 1.852 metros) e a cerca de 1,5 milhas da praia de Alvor, em Portimão,

De acordo com o promotor do projeto Ocean Revival, o empresário náutico Luís Sá Couto, na criação do parque subaquático de mergulho foram gastos até agora cerca de 2,5 milhões de euros.

Luís Sá Couto considera que o investimento "terá um retorno enorme para a região e para o país", sublinhando que em cerca de oito meses "foram registados mais de 4.500 mergulhos".

"Agora é explorar e promover, promover, para trazer gente de todo o mundo, trazer turistas, trazer euros e fazer crescer este país que a gente bem precisa", concluiu o empresário naútico.

Os quatro navios foram afundados depois de lhes terem sido removidos os materiais com substâncias consideradas contaminantes e nocivas para o meio ambiente, nomeadamente óleos e amianto, ficando apenas o casco e matérias que não representam perigo de contaminação para o meio marinho.