Por: Patrícia Pires | 23- 11- 2009 19: 40
«Há pornografia à solta nas escolas». Esta foi a expressão utilizada por um pai de um adolescente com 11 anos, preocupado,
após descobrir que, nos intervalos das aulas, os alunos mais velhos usavam os computadores da e.escola, do programa tecnológico
do Governo, para navegarem em sites com conteúdos para adultos.
Ao tvi24.pt, este encarregado de educação,
relatou a conversa que teve com o filho sobre o assunto. «Ó pai, conheces o RedTube?» perguntou, de forma inocente, o menor.
O referido site dedica-se exclusivamente a pornografia. Um pouco chocado, o pai perguntou ao filho onde o tinha visto. «No
recreio da escola. Os do 8º e 9º levam o portátil do e.escola e ficam a mostrar-nos», respondeu.
O encarregado de
educação prefere manter o anonimato, para não prejudicar o filho, mas reside numa pequena aldeia do norte do país. Após a
conversa com o filho não conseguiu deixar de questionar porque motivo os computadores do e.escola «não trazem software bloqueador
de acesso a páginas não adaptadas às idades dos inscritos no programa»?
«Computador atribuído com uma determinada
função»
«Como é que um computador atribuído com uma determinada função vem permeável a qualquer tipo de pesquisa»,
insiste. Em seguida, confessa que o seu filho não usufruiu do programa e que optou por comprar um computador portátil numa
loja «normal». «Mas a maioria dos colegas têm o outro», garante.
Recorde-se que quando o Magalhães chegou às escolas
nacionais, no âmbito do programa e.escolinha, este vinha apetrechado com software para bloquear sites de conteúdos explícitos.
O mesmo não acontece com o programa e.escola dirigido ao 5º, 6º (que também podem optar pelo Magalhães), 7º, 8º e 9º ano,
como o próprio Ministério da Educação confirmou ao tvi24 após ser confrontado com a questão.
A indignação
do encarregado de educação leva-o a deixar uma pergunta no ar: «Como é que é possível que esta tão poderosa ferramenta de
trabalho e de aprendizagem, seja entregue de forma tão irresponsável deixando ao critério - nem sempre assim tão conhecedor
ou esclarecido - quer dos próprios jovens, quer de seus pais e encarregados de educação, a responsabilidade de controlar fora
do ambiente familiar, o que é perscrutado e consultado na Internet em particular nos recintos escolares, onde crianças assistem
indefesas a estas alarvidades»?.
«Nada o impede»
Kátia, tem 16 anos e é aluna do 9ºano de escolaridade,
em Lisboa. O seu computador faz parte do programa do e.escola, como o da maioria dos seus amigos e colegas. Garante que nunca
teve curiosidade em visitar sites pornográficos, mas confessa saber que muitos colegas o fazem no computador que receberam
do programa tecnológico. «É possível sim, não há nada que o impeça», afirma ao tvi24.pt.
«Há riscos»
Não
deixa de ser curioso que esta segunda-feira a ministra da Educação, Isabel Alçada, tenha estado presente numa conferência
na Fundação Calouste Gulbenkian, dedicada ao tema «Desafios da Era Digital - Infância, Criança, Internet», e tenha admitido
que «há riscos» na utilização das novas tecnologias.
Segundo a agência Lusa, a ministra contrariou a ideia de que
as crianças têm uma natural aptidão para as novas tecnologias e que conseguem aprender sozinhas a utilizá-las, sem precisarem
da ajuda dos adultos. «Sabemos que há riscos. É importante que as crianças sejam protegidas e saibam auto-proteger-se», sublinhou.
Isabel
Alçada alertou ainda que «é muito importante que as crianças usem estas potencialidades educativas novas, mas que tenham o
apoio dos adultos - professores e famílias - para que essa utilização seja formativa, que não seja só a brincar».
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