A Guarda Nacional Republicana identificou um jovem, de 18 anos, por apontar um laser a uma aeronave que fazia um voo em Ponte de Sor, Portalegre, e remeteu os autos para o Ministério Público (MP).

“Um piloto de uma aeronave denunciou que tinha sido atingido por um feixe luminoso proveniente de um laser de alta potência durante a realização de um voo. A vítima informou ainda que, dias antes, teria ocorrido a mesma situação naquele local. Realizadas diversas diligências, os militares localizaram a origem do feixe luminoso, o que permitiu identificar o suspeito e apreender o laser”, explica a GNR, em comunicado.

Contactado pela agência Lusa, o porta-voz do Comando Territorial de Portalegre, tenente-coronel José Moisés, explicou que o incidente ocorreu “nas imediações” do aeródromo de Ponte de Sor e que a aeronave “de pequenas dimensões” fazia um voo de instrução.

O oficial acrescentou que, quando os militares da GNR chegaram ao local indicado pelo piloto, estavam três jovens, tendo um deles “assumido” a autoria do ato, cometido na quarta-feira.

O jovem foi identificado por atentado à segurança de transporte aéreo, crime punido com pena até 10 anos de prisão, e a GNR remeteu os autos para o Ministério Público de Ponte de Sor, entidade que vai agora coordenar a investigação.

A aviação civil reportou, entre 2013 e outubro do ano passado, mais de 1.150 ocorrências de raios lasers apontados a aviões em pleno voo, perto dos aeroportos nacionais, de acordo com a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC).

Segundo os dados enviados pela ANAC à agência Lusa, em 2013 registaram-se 184 destes casos, aumentando para 289 e 290 ocorrências verificadas em 2014 e 2015. Em 2016 houve um decréscimo para 176 incidentes, número que voltou a crescer em 2017: até 26 de outubro do ano passado a ANAC já tinha recebido 215 destes reportes.

A Associação dos Pilotos Portugueses de Linha Aérea (APPLA) já alertou, por várias vezes, que apontar lasers a aviões nas proximidades dos aeroportos coloca em risco a segurança de ocupantes e populações, exigindo legislação “específica, clara e pesada”.

“O piloto fica momentaneamente cego, como se levasse com um feixe de luz extremamente potente nos olhos e deixa de ver. Numa altura em que tem de pilotar, em que pode falhar o motor, numa altura em que já está a voar à mão, e cerca de um minuto, ou mesmo trinta segundos depois, está a tocar no chão. É óbvio que isto afeta a segurança. É a mesma coisa que haver alguém no 'cockpit' e que, por brincadeira [de mau gosto], na parte final da aterragem, tape os olhos ao piloto”, explicou, em novembro do ano passado, o presidente da APPLA, Miguel Silveira, em declarações à Lusa.