A advogada oficiosa dos dois irmãos iraquianos envolvidos num caso de agressão a um jovem em Ponte de Sor, contactou hoje o advogado de Rúben Cavaco, informando que os jovens estão “incomodados” e a “sofrer” com a situação.

Santana-Maia Leonardo, advogado do jovem agredido, Rúben Cavaco, de 15 anos, disse à agência Lusa que a defensora oficiosa lhe transmitiu hoje que os dois irmãos de 17 anos, filhos do embaixador do Iraque em Portugal, Saad Mohammed Ali, “estão, de facto, incomodados” com a situação e “a sofrer com o que se está a passar com o Rúben”, sentimento que é também partilhado pelo pai dos dois jovens.

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O advogado disse, ainda, que a advogada oficiosa dos dois iraquianos explicou que os irmãos “só não entraram diretamente em contacto com a família porque tinham receio”, face ao sofrimento que os familiares do jovem agredido estão a viver, de que o ato “pudesse cair mal”.

Santana-Maia Leonardo acrescentou, ainda, que a advogada oficiosa relatou que vários criminalistas já se “ofereceram” nos últimos dias para defender os dois irmãos iraquianos, mas os mesmos têm “recusado”, uma vez que “não estão interessados em entrar numa guerra de sangue”.

Rúben Cavaco foi agredido no dia 17 de agosto em Ponte de Sor, no distrito de Portalegre, alegadamente pelos filhos do embaixador do Iraque em Portugal.

O jovem alentejano sofreu múltiplas fraturas, tendo sido transferido no mesmo dia do centro de saúde local para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde ainda se encontra internado.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português informou, na quarta-feira, que vai transmitir hoje ao Encarregado de Negócios do Iraque o pedido de levantamento da imunidade dos filhos do embaixador, depois de o Ministério Público o ter solicitado.

“Foi já convocado o Encarregado de Negócios do Iraque para uma reunião amanhã [hoje] no Ministério dos Negócios Estrangeiros, durante a qual será transmitido o pedido de levantamento da imunidade diplomática dos filhos do Embaixador do Iraque”, referiu o MNE em nota à imprensa.

O Ministério Público (MP) considerou, também em comunicado, “essencial para o esclarecimento dos factos” que os dois jovens iraquianos, suspeitos no caso de uma agressão a um jovem português, em Ponte de Sor, sejam ouvidos em interrogatório, na qualidade de arguidos.

O MP entende que, "face aos elementos de prova já recolhidos, na sequência de diligências de investigação efetuadas", é "essencial para o esclarecimento dos factos, ouvir, em interrogatório e enquanto arguidos, os dois suspeitos que detêm imunidade diplomática".