Condições meteorológicas e erro humano são apontadas como causas prováveis para a queda de um helicóptero em Ponte de Sor, distrito de Portalegre, em dezembro de 2014, provocando a morte aos dois ocupantes, indica o relatório final da investigação.

A bordo do aparelho, que se despenhou na manhã de 04 de dezembro do ano passado num descampado, na Herdade da Amieira, nas traseiras do aeródromo de Ponte de Sor, seguiam um instrutor, português, de 38 anos, e um aluno, de 27 anos e de nacionalidade angolana.

“Os factos apurados e a análise realizada apontam para quatro causas prováveis, que podem ter acontecido de forma isolada, em cascata ou conjugadas. Uma das causas prováveis respeita às condições meteorológicas e as três restantes a fatores humanos”, concluiu o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA).


O documento, a que a agência Lusa teve hoje acesso, sublinha que a “formação de gelo no carburador apresenta-se como uma causa provável para o desencadear” do acidente.

De acordo com o GPIAA, as temperaturas diárias tinham uma tendência de arrefecimento à medida que se avançava para o inverno.

“O dia 04 de dezembro [dia do acidente] era o dia mais frio desde que as temperaturas começaram a arrefecer. Nessa manhã, a humidade relativa estava muito próxima dos 100% e a temperatura antes da descolagem era de 4 graus centígrados”, explica o relatório, que afasta “qualquer falha mecânica” no acidente.


Quanto às três causas apontadas a fatores humanos, estas prendem-se com a operação do helicóptero durante o voo de instrução.

Segundo os investigadores, os ocupantes deixaram cair as rotações abaixo do mínimo recomendado pelo fabricante do helicóptero, o qual também terá atingido um ângulo de inclinação acima do aconselhado. Além disso, o relatório diz, ainda, que não foi possível executar uma autorrotação com segurança até ao solo.

O GPIAA frisa que “não foi possível determinar as causas reais do acidente”, contribuindo para isso “o facto de não haver sobreviventes nem testemunhas”, o que limitou a investigação.