O secretário das Finanças da Madeira, Rui Gonçalves, garantiu esta segunda-feira que o Governo regional não fará mais investimentos na marina do Lugar de Baixo, uma obra que custou mais de 100 milhões de euros e nunca funcionou.

"Não haverá mais gastos adicionais na marina do Lugar de Baixo. Os contribuintes já fizeram um esforço muito significativo naquele empreendimento e, por mais que se fizessem investimentos ali, haveria sempre um risco muito grande de serem destruídos", disse Rui Gonçalves aos jornalistas, na sequência de uma notícia do jornal Público dando conta da intenção do executivo de desmantelar o equipamento.

O secretário regional realçou que o Governo quer "resolver o problema" da marina do Lugar de Baixo, localizada no concelho da Ponta do Sol, oeste da ilha, pelo que vai desmantelar os equipamentos e entregá-los às câmaras municipais, para novo usufruto por parte da população, deixando o resto da estrutura ao abandono e à mercê das condições climatéricas.


Obra foi construída apesar dos pareceres negativos


Apesar dos pareceres técnicos negativos, a obra foi construída pela Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste, uma das quatro criadas durante os governos de Alberto João Jardim, atualmente todas em situação de falência técnica. O investimento inicial foi de 29,7 milhões de euros, mas o custo final ascendeu a 100 milhões de euros, pois a estrutura foi repetidamente destruída por temporais.

A marina do Lugar de Baixo foi inaugurada em 2004, mas nunca esteve operacional.

"Chegou-se à conclusão que, do ponto de vista técnico, não seria possível continuar a fazer investimentos naquela infraestrutura", disse Rui Gonçalves, vincando que o Governo decidiu, em articulação com a Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste, "desmantelar alguns equipamentos e colocá-los noutros empreendimentos para que possam depois ser usufruídos pela população".

O secretário das Finanças salientou, por outro lado, que o executivo pretende fundir as sociedades de desenvolvimento e alienar parte dos seus imóveis e equipamentos, "mesmo que isso signifique perder algum dinheiro", como cita a Lusa.