O Tribunal de Ponta Delgada, nos Açores, começou hoje a julgar, à porta fechada, um homem suspeito de abusar sexualmente da filha menor durante cerca de seis anos, tendo alegadamente cometido "centenas" de abusos. A família do arguido contesta a forma como este está a ser defendido, pela falta de comparência do advogado na primeira sessão do tribunal e também por causa das suas limitações, tendo em conta que é surdo. 

O arguido, de 44 anos, foi detido pela Policia Judiciária em março deste ano e está acusado de um crime de abuso sexual de criança e de um crime de ameaça agravada.

O Ministério Público alega que ele “não conseguia, pelo menos desde os quatro anos” da filha, “controlar os seus impulsos sexuais relativamente à menor, aproveitando as ocasiões em que estava sozinho” com ela “em casa para ter contactos sexuais com a mesma”, cita a Lusa.

A acusação aponta ainda que o arguido, também pai de um rapaz, terá tido alegadamente relações sexuais com a filha “cerca dos seis/sete anos" da menor e “até fevereiro de 2015”.

Aquando da detenção do homem pela PJ, esta anunciou que o homem era suspeito de "centenas de crimes de abuso sexual” da menina, atualmente com 12 anos.

Segundo o Departamento de Investigação Criminal de Ponta Delgada da PJ, os abusos ocorreram em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, “num contexto intrafamiliar e de coabitação" e "iniciaram-se há vários anos e, desde então, continuaram a ser praticados de forma regular".

O início da sessão de hoje, no tribunal, sofreu um atraso, já que o advogado de defesa do arguido, detido preventivamente na ilha Terceira, não compareceu alegando motivos de doença. Para o efeito sido nomeada uma defensora oficiosa que já tinha tido intervenção no processo em fase de interrogatório, segundo fonte judicial.

Enquanto decorria a audição de testemunhas, no exterior de sala de audiências, familiares do arguido criticaram a forma como este está "a ser defendido" e a forma como uma perícia forense à ofendida foi "conduzida", porque alegadamente a menina teria namorado.

“O meu irmão não está a ser bem defendido e não está a perceber a intérprete que está no julgamento”, disse aos jornalistas Maria do Rosário Metade, considerando que o início do julgamento devia ter sido "adiado até que o advogado tivesse condições para o vir defender".

Segundo a irmã do arguido, o fato do irmão "não ouvir, nem falar exige muito cuidado", salientando que neste processo “há coisas muito mal contadas” e que “há uma pessoa inocente presa”.

Maria de Lurdes Metade, cunhada do arguido, disse ter ido visitar o homem à cadeia e que ele "não sabia porque estava preso" e "recusou que tivesse dormido com a filha".