A qualidade do ar do Algarve, Alentejo, Lisboa e Vale do Tejo, Centro, interior norte e Madeira está a ser afetada, nesta terça-feira, por partículas e poeiras em suspensão vindas do norte de África, informa a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Durante o dia 23 de fevereiro [hoje], a influência da massa de ar nas concentrações de partículas irá diminuir gradualmente de intensidade, devido à previsão de alterações das condições meteorológicas", refere uma informação divulgada no site da APA.

Trata-se de um fenómeno natural, mais frequente na primavera e no verão, que afeta a qualidade do ar ambiente.

A APA estima que possa contribuir para um aumento das concentrações de partículas em suspensão (PM10) entre 40 a 80 mgm-3 nas regiões do Algarve e Alentejo e entre 10 a 40 mgm-3 nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Centro e interior Norte.

A análise comparativa dos modelos de prognóstico de dispersão e transporte de poeiras pela circulação atmosférica indica que este episódio deverá terminar na quarta-feira.

O transporte de longa distância de partículas com origem natural, em zonas áridas do Norte de África, como é o caso dos desertos do Sahara e Sahel, pode levar à subida dos níveis de PM10.

As poeiras podem tornar-se visíveis quando se verifica a sua deposição nas superfícies, sobretudo nos automóveis, varandas ou outros elementos que estejam ao ar livre.

Poeiras estão a dissipar-se

As poeiras vindas de África que afetaram a qualidade do ar no sul de Portugal já estão a dissipar-se, mas foram atingidos dos mais altos valores de sempre de partículas inaláveis, disse hoje um especialista.

"No sul de Portugal, ontem [segunda-feira] registámos dos valores mais elevados de sempre nas estações de monitorização de qualidade do ar", avançou Francisco Ferreira da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa à agência Lusa.

O valor limite diário é de 50 microgramas de partículas inaláveis (PM10) por metro cúbico (mg/m3) de ar e chegou-se a "valores horários da ordem dos 260/270 mg/m3 no Algarve", especificou.

"Agora já estamos numa fase de dissipação deste episódio, a massa de ar está a deslocar-se para norte e noroeste e está a alargar e as concentrações que vamos encontrar mais a norte tenderão a ser mais reduzidas", salientou Francisco Ferreira.

Este é um fenómeno recorrente que afeta nomeadamente a Península Ibérica em determinadas alturas do ano, quando ventos mais quentes do norte de África trazem as poeiras dos desertos do Sahel ou do Sahara em nuvens de grandes dimensões que habitualmente permanecem por um, dois ou três dias.

Nestas situações, "as partículas inaláveis e por vezes também as partículas finas, ou seja, as PM10 e PM2.5, podem atingir valores elevados", referiu o especialista em poluição do ar.

Quanto à PM2.5, em algumas estações atingiram-se valores de 40 ou 50, também um valor muitíssimo elevado por comparação a circunstâncias normais, acrescentou.

As partículas podem ter algumas consequências para a saúde, principalmente se a exposição às poeiras for muito prolongada, para grupos mais vulneráveis, como as crianças, os idosos ou as pessoas com problemas respiratórios.

Como é um fenómeno natural, não é possível evitar a sua ocorrência e a legislação, que penaliza os valores acima dos limites de poluição estipulados, não condena estas ultrapassagens.

A nuvem de poeira foi alvo da atenção do astronauta britânico Tim Peake que, na segunda-feira, publicou na sua conta do Twitter uma imagem de Portugal e Espanha cobertos por uma espécie de pluma.