«Nós fizemos melhor do que o ano passado e o ano passado do que no anterior, o que significa que felizmente há este ano muito menos horários zero no fim desta fase». Palavras do primeiro-ministro que se congratulou, em Viseu - e apesar dos assobios com que foi recebido - com o processo de colocação de professores deste ano.

Passos Coelho está convencido de que as necessidades das escolas serão satisfeitas, porque ainda há uma nova fase de colocações: «Nessa medida, creio que o processo de colocação de professores este ano não só decorreu melhor ainda do que no ano passado, como teremos um resultado satisfatório por parte dos candidatos que almejam poder ficar a dar aulas, a prestar serviço nas escolas, evidentemente de acordo com as necessidades das escolas e não em razão de outro critério qualquer», acrescentou, citado pela Lusa, em Sernancelhe, onde inaugurou um centro escolar, assinalando o arranque do ano letivo.

Os professores não estão convencidos. No exterior, perto de uma centena de professores manifestava-se contra a forma como foram feitas as colocações, lamentando a existência de alegadas irregularidades.

Durante a manifestação, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, disse aos jornalistas que «muitas colocações são inexplicáveis»: «Desde que saíram as listas que temos recebido quer de escolas, quer de muitos professores, denúncias de colocações duplicadas, colocações em escolas onde não há vagas, colocações que não foram feitas e não se percebe porquê».

Muitos professores estão, adiantou, a fazer os seus recursos, «nuns casos dentro do ministério, noutros já nos tribunais».

O dirigente sindical lamentou também que, apesar de a Fenprof ter pedido uma reunião ao ministro da Educação até ao final desta semana, até hoje nem uma resposta tenha recebido.

Taxa do pré-escolar «atinge praticamente 97% dos jovens»

Voltando a Passos Coelho, o chefe de Governo aludiu também ao processo de reorganização e redimensionamento da rede escolar, «que vem sendo preparada de há muitos anos a esta parte e é um processo contínuo».

«Pegámos nesse processo e entendemos que, se era preciso organizar melhor, tendo em atenção o interesse das crianças, então deveríamos esforçar-nos, com as autarquias locais, por encerrar escolas que já não têm dimensão crítica para acolher alunos, colocando esses alunos em escolas que têm melhores condições para que eles possam fazer a sua aprendizagem», explicou.

Na sua opinião, as queixas das autarquias relativamente ao encerramento de escolas aconteceram «em casos muito especiais» e, portanto, não tiveram «um significado nacional».

«Na generalidade dos casos, na grande maioria dos casos, esta nova carta escolar resulta de um trabalho conjunto entre o governo e as autarquias locais e destina-se justamente a poder propiciar aos estudantes as melhores condições possíveis para que eles possam ter aulas nas melhores condições», acrescentou.

Durante a cerimónia de inauguração da escola, o ministro da Educação, Nuno Crato, destacou que hoje a taxa do pré-escolar «atinge praticamente 97% dos jovens», quando em 2010 era de 89%.

«Há mais jovens que estão a começar de ser preparados mais cedo para a vida ativa. Hoje somos um dos sete países da OCDE em que a taxa de escolarização entre os 05 e os 14 anos é plena». Por outro lado, «a taxa de escolarização dos 15 aos 19 está acima da média da Europa a 21 e acima da média dos países da OCDE», acrescentou.

No seu entender, «hoje já é percetível o resultado da política de reforço dos conhecimentos essenciais dos alunos».