As viagens pagas pela NOS também já estão a ser alvo de investigação por parte do Ministério Público.

A Procuradoria-Geral da República "procedeu à recolha de elementos e decidiu enviá-los ao DIAP de Lisboa com vista a investigação", disse numa declaração escrita, à TVI24, fonte oficial.

Uma resposta que surge após a empresa de comunicações, NOS, assumir que, em junho de 2015, pagou viagens aéreas a 14 pessoas à China, sendo que cinco eram colaboradores da própria empresa e nove convidados.

A NOS confirma “a existência de um pagamento das viagens aéreas da referida visita a um total de 14 pessoas, sendo 5 dessas, colaboradores da empresa”, disse à TVI24 fonte da empresa, assumindo que “o enquadramento deste pagamento encontra-se ainda a ser apurado.”

Isto porque “a política e regras em vigor na NOS, não preveem a possibilidade da empresa suportar, mesmo que parcialmente, custos de deslocações que não os dos seus próprios colaboradores.”

A fonte da operadora faz questão de lembrar que a “organização de visitas de trabalho com convidados, cujas funções estejam relacionadas, com o objetivo de partilhar conhecimento, competências e planos de desenvolvimento tecnológico é uma prática empresarial comum e lícita”.

Do programa constou uma visita ao hospital de Zhang Zhou, considerado uma referência internacional, e à sede da Huawei em Shenzhen onde foram organizados vários workshops sobre as mais recentes inovações tecnológicas na área da saúde.

As explicações da empresa surgem depois da Huawei dizer à Lusa que a empresa "não pagou viagem à China a nenhuma pessoa envolvida neste caso" e de o Ministério da Saúde difundir um comunicado adiantando que dirigentes dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), "em particular" os presidente e vogal do conselho de administração, colocaram à disposição os respetivos lugares, mas o Ministério entendeu aguardar pelas conclusões da averiguação pedida à Inspeção-geral das Atividades de Saúde (IGAS).

De acordo com o jornal Expresso, trata-se de uma viagem realizada entre 2 e 6 de junho de 2015, envolvendo cinco dirigentes do Ministério da Saúde. Em fevereiro do mesmo ano, outro destacado funcionário do Estado, Carlos Santos, da Autoridade Tributária, viajou para a China “com tudo pago”.

O jornal cita uma fonte ligada ao processo, segundo a qual a empresa pagou “tudo, mesmo tudo”, incluindo a alimentação.

A viagem incluiu uma visita ao Hospital de Zheng Zhou para observar como funciona o sistema de telemedicina da unidade e outra à sede da tecnológica em Shenzhen, perto de Hong Kong.

“Os altos quadros dos SPMS que viajaram a convite são Artur Trindade Mimoso, vogal executivo do Conselho de Administração, Nuno Lucas, diretor de sistemas de informação, Ana Maurício, diretora de comunicação, Rui Gomes, diretor de sistemas de informação, e Rute Belchior, diretora de compras”, lê-se na notícia do Expresso.

Os SPMS confirmaram ao jornal a deslocação “suportada pela entidade que organizou a visita”, justificando-a com “objetivos prioritários” de adquirir e partilhar conhecimentos sobre "os recursos, modelos e estratégias diferenciadoras utilizadas no âmbito da telemedicina”.