O presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB), Carlos Maia, disse esta quinta-feira que a proposta de alteração do regime de acesso do Conselho dos Politécnicos não pretende extinguir os exames nacionais.

«O Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), na proposta de alteração do regime de acesso e ingresso no ensino superior apresentada, não propôs, nem pretende, a extinção dos exames nacionais», afirmou Carlos Maia à agência Lusa.

O presidente do IPCB e membro da comissão permanente do CCSIP, explicou que a proposta prevê que as instituições que o pretendam possam considerar que a demonstração da capacidade para a frequência da instituição/curso seja feita através da aprovação nas disciplinas dos cursos científico-humanísticos, correspondentes às provas de ingresso exigidas nos cursos do ensino superior onde os alunos pretendem ingressar.

Isto resulta da combinação da classificação da avaliação interna contínua, com um peso de 70%, e da classificação da avaliação externa, obtida nos exames nacionais e com um peso de 30%.

«A classificação obtida nos exames nacionais (avaliação externa) servirá para a conclusão do ensino secundário, razão para a qual os exames foram concebidos, como referiu recentemente o atual presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE).»


Carlos Maia sublinhou ainda que aferir a capacidade de um candidato para frequentar o ensino superior é, acima de tudo, fazer uma avaliação das aprendizagens, dos conhecimentos e das competências desse candidato.

«Como tal, não deve cingir-se a um ato isolado, nem descontextualizado do ambiente em que teve lugar a aprendizagem, como acontece com os exames nacionais, os quais devem constituir apenas uma parte da avaliação dos alunos.»


O presidente do IPCB defendeu ainda que, «com a proposta apresentada pelo CCISP, é valorizado todo o percurso escolar do aluno, que resulta da conjugação da avaliação interna e dos exames nacionais».

Esta situação, sustenta, aferirá melhor a capacidade para a entrada no ensino superior do que apenas através de uma prova de duas horas.

«Não são, por isso, aceitáveis as acusações de 'facilitismo', nem falsos moralismos, por sinal bastante exacerbados nos últimos dias, de que aceitar a proposta apresentada pelo CCISP consiste em baixar a qualidade dos candidatos ao ensino superior e a exigência do próprio ensino superior.»


«Será que alguém de bom senso poderá aceitar que o aluno A, que obteve 10 valores na classificação interna e 9,5 valores na classificação externa (exames nacionais), da disciplina considerada específica para o curso que pretende frequentar, estará mais capacitado para frequentar esse curso do que o aluno B que obteve 19 valores na classificação interna e 9,4 valores na classificação externa (exames nacionais)? Claro que não. Só que o aluno A está em condições de se candidatar ao ensino superior, enquanto o aluno B está impedido de o fazer», afirmou.

Carlos Maia referiu ainda que o aluno que está em condições de se candidatar terminou a disciplina do ensino secundário com a média de 9,85 valores, enquanto o aluno que terminou a mesma disciplina com a média de 16,12 valores está impedido de se candidatar.

«É esta a fiabilidade dos exames nacionais em que nos querem fazer crer?», concluiu.