Cerca de 25 por cento do efetivo vai deixar o ativo da Polícia de Segurança Pública nos próximos cinco anos, alertou o diretor nacional da PSP, superintendente-chefe Luís Farinha, pelo que considerou urgente um rejuvenescimento da força. 

“A elevada média etária dos recursos humanos policiais, com valores muito próximos dos 50 anos em diversas unidades territoriais, são realidades que carecem de reversão urgente pelo rejuvenescimento do efetivo, do qual cerca de 25 por cento deixará o serviço ativo nos próximos cinco anos por força das previsões estatutárias”, disse o diretor nacional da PSP, na cerimónia que assinalou os 149 anos daquela força de segurança.

No discurso, o superintendente-chefe Luís Farinha adiantou que as projeções efetuadas apontam para que “as saídas de efetivos do ativo, nos próximos cinco anos, sejam superiores às eventuais novas admissões”.

Nesse sentido, considerou “determinante” a afetação de recursos humanos e o ajustamento do dispositivo operacional em algumas áreas territoriais.

Em data de aniversário, o diretor nacional da PSP falou também da “insuficiência de alguns meios operacionais”, como as condições das instalações policiais.

“A persistência de instalações operacionais estruturalmente desajustadas e com menos adequadas condições de trabalho para os polícias e para o atendimento ao cidadão não favorecem o sentimento de segurança, nem beneficiam o trabalho policial e a imagem do Estado”, afirmou.

Luís Farinha defendeu igualmente “o reforço das capacidades operacionais das polícias municipais de Lisboa e Porto”, considerando tratar-se de “uma mais-valia geradora de sinergias”.

Com o reforço das capacidades, as polícias municipais de Lisboa e Porto passam a desenvolver, com carácter permanente, a regularização de trânsito e as atividades administrativa, enquanto a PSP “redireciona a sua missão para outros âmbitos de intervenção no contexto da segurança pública, de prevenção e fiscalização rodoviária”, explicou Luís Farinha.

O diretor nacional da PSP manifestou-se ainda ao lado dos polícias em relação às “preocupações em matéria de condições de trabalho e exercício da função, bem como à legítima expetativa de progressão nas carreiras, particularmente pelos mais jovens”.

“Estou confiante que serão encontradas as soluções necessárias, justas e adequadas (…). No âmbito das minhas competências e do que for legalmente possível, tudo farei com vista à satisfação dos anseios”, disse ainda.

Comandantes de esquadras alertam para desmotivação na PSP

“A desmotivação, o descontentamento, a incerteza e diríamos até mais, a desconfiança, reina no seio da PSP”, referem os subcomissários, que na maioria desempenham funções de comandantes de esquadras, num manifesto enviado ao diretor nacional da PSP, superintendente-chefe Luís Farinha, por ocasião do aniversário da Polícia de Segurança Pública.

Na carta, os subcomissários oriundos do Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna chamam a atenção para “a degradação das condições de trabalho e aumento considerável da desmotivação, conduzindo a PSP para uma realidade profissional que se tornou insustentável”.

Os profissionais dizem sentir-se "profundamente maltratados pela direção nacional" e recusam-se a "aceitar a situação decadente para a qual somos arrastados”, dando conta do “absoluto desprezo e falta de reconhecimento” do trabalho que desenvolvem.

Os subcomissários falam de situações de polícias que “não sabem o que lhes vai acontecer”, nomeadamente quando podem ir para a aposentação ou pré-reforma.

Estagnação das carreiras, concursos de promoção, compensação de trabalho extra horário, remuneração inferior às funções exercidas são algumas das questões que urge resolver, além da regulamentação de várias matérias prevista no estatuto profissional da PSP.