Os 299 novos polícias terminam esta sexta-feira o curso de formação de agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) e vão ser colocados provisoriamente, durante o primeiro ano de serviço, nos diversos comandos do país.

De acordo com a Lusa, a cerimónia de encerramento do 11º curso de formação de agentes da PSP vai decorrer, em Torres Vedras, na Escola Prática de Polícia e vai contar com a presença da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.

Dos mais de 10 mil candidatos a agentes da PSP ficaram aprovados 1.930 e concluíram o curso 299 alunos, 37 dos quais são mulheres, refere a Polícia de Segurança Pública, em comunicado.

De acordo com a PSP, os 299 novos agentes vão reforçar o dispositivo policial e “contribuir para a segurança dos portugueses”.

Com uma carga horária de 1.180 horas, 480 das quais práticas, o curso teve início a 11 de maio de 2015 e, entre janeiro e fevereiro, os alunos realizaram um mês de estágio nos diversos comandos da PSP espalhados pelo país.

O porta-voz da PSP, intendente Hugo Palma, disse à agência Lusa que os 299 novos elementos tem agora pela frente um ano de probatório e, durante este período, vão ser colocados provisoriamente nos diversos comandos da PSP do país, nomeadamente no interior, onde existe um défice de efetivos.

O intendente Hugo Palma adiantou que os novos agentes apresentam-se ao serviço na próxima segunda-feira.

Depois do primeiro ano de serviço, os novos polícias vão ser sobretudo colocados nos comandos metropolitanos de Lisboa (Cometlis) e do Porto, disse, referindo que cerca de 160 vão fazer parte do efetivo do Cometlis.

Cerca de 13% do efetivo da PSP já foi reavaliado a nível psicológico

Cerca de 13 por cento do efetivo da PSP foi reavaliado a nível psicológico com o objetivo de detetar possíveis vulnerabilidades, disse à agência o chefe do gabinete de psicologia da PSP.

Fernando Passos adiantou que o gabinete de psicologia desta força de segurança está, desde 2008, a reavaliar os traços da personalidade dos elementos policiais como forma de prevenir o suicídio, pretendendo-se que esta reavaliação psicológica seja feita aos cerca de 22.000 polícias. De acordo com o mesmo responsável, até ao momento, foram reavaliados 2.809 polícias.

Este trabalho está a ser feito nos comandos metropolitanos da PSP de Lisboa e Porto, no comando regional dos Açores e nos comandos distritais de Setúbal, Évora e Portalegre.

Fernando Passos adiantou que está a ser ponderado começar a fazer a reavaliação psicológica nos comandos de Faro e da Madeira.

O chefe do gabinete de psicologia da PSP afirmou que a reavaliação do efetivo é feita de acordo com a disponibilidade e possibilidade em termos de recursos humanos.

“Gostaria muito de dizer que todos os anos faço a reavaliação de 22 mil elementos policiais, seria ótimo, seria a situação desejável, mas obviamente somos confrontados com os meios que temos, e portanto temos que fazer isto à máxima velocidade, mas à velocidade que podemos”, sustentou.

Fernando Passos explicou que a reavaliação psicológica, prevista no plano de prevenção do suicídio das forças de segurança, tem como objetivo “detetar vulnerabilidade em termos de saúde mental”. O mesmo responsável sublinhou que, na maioria dos casos, não se deteta qualquer problema nos polícias. Quando se encontra algo, “os polícias ou são encaminhadas para apoio psicológico ou para outros serviços, como saúde”, referiu.

Além deste trabalho junto dos polícias, o gabinete de Psicologia faz também uma avaliação psicológica aos novos elementos que entram para a PSP. De acordo com Fernando Passos, este trabalho, composto por provas e entrevistas psicológicas, é feito quando ingressam na PSP, durante o curso e no primeiro ano de serviço.

A avaliação e reavaliação psicológica aos novos polícias, sejam agentes ou oficiais, é obrigatória, realçou, dando conta da importância deste trabalho durante o primeiro ano de serviço.

Desde 2008 que a PSP realiza também cursos de prevenção de suicídio, tendo já frequentado esta formação 6.234 elementos policiais.

Fernando Passos adiantou que estes cursos têm como objetivo “reduzir o estigma para que os polícias percebam que não é vergonha, nem sinal de fraqueza, consultar ajuda especializada quando há um sinal de vulnerabilidade”.

Encerradas dez esquadras em Lisboa e sete no Porto nos últimos dois anos

A PSP encerrou dez esquadras em Lisboa e sete no Porto, ao longo dos últimos dois anos, no âmbito do processo de racionalização ainda em curso, de acordo com a direção nacional da força de segurança.

No Comando Metropolitano de Lisboa da PSP foram encerradas esquadras em locais como a rua Gomes Freire, Rossio, Boavista, Belavista, Santa Marta, Mouraria, Alto do Lumiar, Santa Apolónia, Chelas (Zona J) e Quinta da Cabrinha (Alcântara).

A esquadra da Quinta da Cabrinha é agora a sede das equipas de intervenção e fiscalização policial, a de Chelas (zona J) mantém-se aberta como posto de atendimento permanente, enquanto a esquadra de Santa Apolónia funciona como posto de atendimento ao turismo.

A Divisão de Trânsito foi deslocada para a esquadra do Alto do Lumiar, a qual também funciona como esquadra de atendimento permanente.

A proposta de reorganização, elaborada pelo Governo e pela PSP e aprovada em reunião de Câmara de Lisboa, em maio de 2014, previa o encerramento de 14 esquadras: Rossio, Mouraria, Santa Marta, Rato, Arroios, Zona I (Chelas), Chelas (Zona J), Bairro da Horta Nova, Bairro Padre Cruz, Carnide, Calvário, Quinta do Cabrinha, Campolide e Serafina.

Nove destas esquadras mantêm-se atualmente em funcionamento: Rato, Arroios, Calvário, Zona I (Chelas), Campolide, Serafina, Bairro da Horta Nova, Bairro Padre Cruz e Carnide.

Além de cinco esquadras da lista inicial fecharem portas – Rossio, Mouraria, Santa Marta, Chelas (zona J) e Quinta da Cabrinha -, as outras cinco que foram encerradas não constavam da proposta: rua Gomes Freire, Boavista, Belavista, Alto do Lumiar e Santa Apolónia.

O plano de reorganização contemplava ainda a abertura de outras seis esquadras em Lisboa: na Baixa Pombalina, no Palácio da Folgosa, na estação do Metropolitano do Marquês de Pombal, em Campolide, no Lispólis (Lumiar) e em Alcântara.

Contudo, destas, a única esquadra aberta foi a do Palácio da Folgosa, na rua da Palma.

Quanto ao Comando Metropolitano do Porto da PSP, nos últimos dois anos encerraram sete esquadras: praça Coronel Pacheco, rua da Boavista, Carvalhido, São João de Deus, Leça da Palmeira, Areosa e Lagarteiro, esta transformada em posto de atendimento permanente.

Os postos de informação de polícia em Guifões, Leça do Balio e Vilar do Andorinho também já se encontram fechados ao público.

A proposta de reorganização do Comando Metropolitano do Porto previa o encerramento das sete esquadras de atendimento e destes três postos de informação de polícia, assim como a transferência da sede da Divisão de Investigação Criminal do Porto, o que ainda não se verificou.

Numa resposta escrita enviada à Lusa, a direção nacional da PSP diz que o encerramento de esquadras e de postos de atendimento, em Lisboa e no Porto, “foi gradual, num período que se estendeu pelos últimos dois anos”, sublinhando que este processo continua em aberto.

“Considerando que ambos os processos de racionalização não estão fechados, e porque existe um diálogo próximo com o ministério sobre estas matérias, nesta fase, não nos é possível tecer quaisquer comentários ou antecipar perspetivas sobre a evolução deste dossiê”, explica.

De acordo com o antigo ministro da Administração Interna Miguel Macedo (titular da pasta quando o plano foi definido), o objetivo desta reorganização visava dar "mais visibilidade às forças de segurança", "maior proximidade e maior intensidade de patrulhamento" e "menos elementos policiais dedicados a atividades de logística e administrativa".

Questionado pela Lusa, o gabinete da atual ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, respondeu que “não se pronuncia nesta altura sobre essa matéria”.