O secretário nacional da Comissão Coordenadora Permanente (CCP) disse esta sexta-feira que a manifestação das forças de segurança na quinta-feira foi «uma bofetada de luva branca» para quem esperava que o protesto terminasse em confrontos.

No rescaldo da manifestação, que juntou milhares de elementos das forças e serviços de segurança, Paulo Rodrigues disse à agência Lusa que a maioria dos manifestantes «soube estar à altura», contrariando aqueles que estavam à esperam que o protesto terminasse em desacatos e desordem pública.

O também presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) adiantou que a CCP vai reunir, na próxima semana, para fazer o balanço da manifestação, garantindo que «foi a maior de sempre», a seguir ao protesto de 21 de novembro de 2013.

Nesse sentido, considerou que o Governo tem que dar «uma resposta muito clara» e «não pode ignorar» o descontentamento dos polícias. «O Governo tem que fazer uma leitura muita clara da manifestação. Estamos revoltados e queremos uma resposta, que corresponda às expectativas dos polícias», disse.

Paulo Rodrigues sublinhou que «está nas mãos do Governo», optar por «criar instabilidade que vai conduzir ao caos ou dar uma resposta».

Para a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) «a ação de protesto foi a vitória de uma batalha contra o Governo, o único responsável por tudo o que sucedeu ou que podia ter sucedido junto à Assembleia da República».

«Não se tratou de uma manifestação em que estiveram polícias contra polícias, como se quer fazer passar, nem tão pouco aceitamos que se reduza a razão e indignação daquela tremenda massa humana à existência ou não de confrontos, à subida ou não de degraus», refere a APG em comunicado, sublinhando que «mais uma vez os profissionais deram uma lição de democracia e cidadania ao Governo e comportaram-se com um elevado sentido de dignidade».

Destacando que na quinta-feira se realizou «a maior manifestação de forças e serviços de segurança de que há memória» em Portugal, a APG adianta que «os profissionais não aceitam os cortes nos vencimentos e o agravamento da precariedade das condições em que trabalham».

Milhares de elementos das forças e serviços de segurança manifestaram-se frente ao parlamento, numa ação de protesto em que a tensão foi elevada, com manifestantes a conseguirem invadir uma parte da escadaria da Assembleia, onde existia uma forte contingente policial.

Dez feridos, seis polícias e quatro manifestantes, e dois elementos do corpo da guarda prisional identificados pela Polícia por desacatos foi o resultado da manifestação.