A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) acusou esta segunda-feira a PSP de expulsar, sem justificação, dois elementos do Corpo de Intervenção (CI) de Faro, classificando a medida como uma tentativa de «condicionar a liberdade de expressão».

Os dois homens, cuja comissão de serviço na Unidade Especial de Polícia (UEP) deveria ter sido renovada em dezembro, são o comandante de uma das equipas do CI de Faro e um formador em técnicas policiais, disse à Lusa o presidente da ASPP, Paulo Rodrigues, sublinhando que não existe fundamento para a sua comissão de serviço não ter sido renovada.

Segundo o dirigente sindical, na origem da ordem de serviço que estipulou a saída dos dois homens estará o seu envolvimento na organização de um «almoço-protesto», realizado num restaurante de Faro, em julho, como protesto simbólico contra a maneira como vinham a ser tratados pelos superiores hierárquicos.

«O que levou à organização daquele almoço foi o mau ambiente que se vive na UEP, uma questão antiga, que já vem desde 2012, mas que foi sempre desvalorizada pela Direção Nacional da PSP», justificou Paulo Rodrigues, sublinhando que as chefias pretendem que o pessoal seja «subserviente».

Entretanto, para tentar suspender o afastamento do elemento que comandava uma equipa, a ASPP interpôs uma providência cautelar, aguardando, durante esta semana, uma resposta do tribunal, acrescentou o sindicalista.

Para Paulo Rodrigues, o afastamento dos dois homens é uma «injustiça» e a maneira «mais fácil» para tentar silenciar os elementos daquela unidade, uma coisa «impensável» no século XXI.

Contactado pela Lusa, o comandante da força destacada da UEP de Faro disse não estar autorizado a prestar declarações sobre o assunto, mas negou que os homens tenham sido expulsos, justificando a sua saída com o facto de a sua comissão de serviço não ter sido renovada.

O afastamento dos dois polícias motivou a criação de um abaixo-assinado, subscrito pela maioria dos agentes daquela força especial, e também de uma página numa rede social, onde é manifestado o «apoio incondicional» aos dois homens.

No dia do «almoço-protesto», em julho, o vice-presidente da ASPP acusara o comandante da Unidade Especial de Polícia de Faro de fomentar um ambiente de medo e pressionar os agentes a realizar obras de construção civil, sob pena de expulsão.

Em causa estavam alegadas pressões que elementos de um subgrupo do CI do destacamento de Faro terão sofrido para realizar obras, durante o serviço, numa cave utilizada pelos elementos da UEP no aeroporto desta cidade algarvia.

A força destacada da UEP de Faro possui quatro valências, através do Corpo de Intervenção, do Corpo de Segurança Pessoal, do Centro de Inativação de Engenhos Explosivos e de Segurança no Subsolo e do Grupo Operacional Cinotécnico.

O CI em Faro é composto por um grupo operacional de cerca de 50 elementos, divididos em dois subgrupos, cada um com três equipas.