A PSP sinalizou este ano 1.113 idosos, dos quais 994 foram encaminhados para a rede social por se encontrarem em situação de isolamento e a necessitarem de apoio a nível de higiene, saúde e alimentação, segundo dados hoje divulgados.

Em comunicado, a PSP adianta que estes casos foram sinalizados entre janeiro e agosto, tendo as 994 situações sido encaminhadas para “entidades com poder de resposta, no intuito de combater o isolamento e promover que a população tenha acesso aos cuidados básicos de higiene, saúde e alimentação”.

Em declarações à agência Lusa, a propósito do Dia Internacional das Pessoas Idosas (0
1 de outubro), o subintendente Hugo Guinote disse que, em 2014, foi registada “uma ligeira diminuição (18%) do número de idosos em situação de risco na área da responsabilidade da PSP” face ao ano anterior.

Segundo Hugo Guinote, do Departamento de Operações da Direção Nacional da PSP, a Polícia de Segurança Pública identificou no ano passado 3.620 idosos, dos quais 1.797 em situação de risco, a maioria em Lisboa (751).

Destes casos, 1.552 foram encaminhados para a rede social (juntas de freguesia, autarquias, instituições particulares de solidariedade social e organizações não-governamentais parceiros da PSP).

Estes casos são identificados nas ações de policiamentos diários realizadas por 489 agentes. Além deste contacto com os idosos, são feitas ações de sensibilização que totalizaram 2.289 em 2014, mais 7,6% face a 2013, adiantou Hugo Guinote.

Os dados da PSP destacam também os crimes contra idosos, informando que em 2014 e este ano os mais praticados foram “o furto por carteirista, o dano e o furto em residência com arrombamento, escalamento ou chaves falsas”.

Entre os mais praticados contam-se também o furto em veículo motorizado, a ofensa à integridade física voluntária simples e as burlas em geral.

“Ciente desta realidade, e tendo presente que em 2014 havia 139 idosos para cada cem jovens, a PSP decidiu alargar o Dia do Idoso a todo o mês de outubro”, realizando várias iniciativas por todo o país em colaboração com diversas instituições públicas e privadas.


Os idosos vão ser “o centro da atenção do policiamento de proximidade” durante todo o mês de outubro, “numa iniciativa que procura combater a solidão e, em simultâneo, alertar o público-alvo para os cuidados a ter no dia-a-dia em prol de uma maior segurança”.

A sensibilização incidirá sobretudo na prevenção de burlas, assaltos, acidentes domésticos e conselhos gerais de segurança, sem esquecer a autoproteção, os direitos individuais e as regras para se conseguir uma boa vizinhança.

Hugo Guinote revelou à Lusa que a PSP e a GNR foram convidadas para apresentar o seu trabalho junto da população idosa no fórum internacional “O envelhecimento global e os direitos humanos para os seniores”, que vai decorrer em Seul, entre os dias 26 e 28 de outubro.
 

Equipas de Apoio a Idosos atenderam 1.255 situações novas em 2014


As Equipas de Apoio a Idosos, que acompanham idosos em situação de isolamento e de “enorme fragilidade” na capital, atenderam 1.255 situações novas em 2014, mais 56% face a 2013, segundo dados da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Este aumento “confirma a tendência para o aumento do volume processual destas equipas”, constituídas por três profissionais de valências diferentes orientados para “acolher, atender e acompanhar” idosos com “quadros caracterizados por isolamento, enorme complexidade e fragilidade”, refere a SCML.

Os dados, enviados à agência Lusa a propósito do Dia Internacional das Pessoas Idosas (01 de outubro), adiantam que foram avaliadas 1.446 situações e encaminhadas 917 para instituições de saúde e equipamentos sociais.

Para a administradora da Ação Social da SCML, Rita Valadas, a sinalização destes “significa que a cidade está a funcionar”.

“A polícia de proximidade está a fazer um magnífico trabalho”, assim como a linha S.O.S de apoio ao idoso, criada pela Câmara de Lisboa, reencaminhando todas as situações que “carecem de outro tipo de acompanhamento”, sublinhou.

Também em cada uma das dez unidades da SCML “há alguém que olha especialmente para a questão dos idosos isolados”, uma estratégia que decorreu de uma avaliação realizada pela SCML em 2010 e em que foram detetadas mais de 500 pessoas em situação de “grande risco” em Lisboa.

“Há, de facto, um investimento na criação de equipas multidisciplinares porque acreditamos que assim conseguimos prevenir uma dependência precoce ou uma situação de risco”, disse.

Rita Valadas avançou que a Rede Social de Lisboa está a criar uma plataforma em que qualquer cidadão pode identificar uma pessoa em risco e constituir-se como seu acompanhante, comprometendo-se a informar se notar alterações na rotina dessa pessoa.

Para a responsável, a denúncia destes casos “devia ser obrigatória”: “Temos de fazer perceber às pessoas que todos temos o dever de alertar para uma situação de risco”.

Em 2014, a SCML prestou apoio domiciliário a 3.501 utentes, mais 204 do que o planeado. “O total de admissões foi superior em 219 ao das saídas, pelo que é expectável que se mantenha a tendência de crescimento” verificada nos últimos três anos.

Houve ainda uma média diária de 1.985 utentes a frequentarem os 26 Centros de Dia da SCML.

Para Rita Valadas, a resposta da Santa Casa nesta área é “muito significativa”, mas é preciso fazer mais.

“Não estamos contentes nem com a nossa capacidade, porque ainda não conseguimos prevenir tudo, nem com respostas sociais, algumas um bocadinho enquistadas em relação às necessidades da situação social de Lisboa e do país”, disse, dando como exemplo os centros de dia.

“Há muita gente que podia beneficiar desta resposta e que ainda não é idosa”, como desempregados que não podem deixar de ter atividades ou jovens com algum problema, disse Rita Valadas, avançando que esta valência está a ser avaliada no sentido de a alargar a outras idades.

“Lisboa está a envelhecer muito e, portanto, há respostas que temos de rever sob o risco de podermos estar a ter uma cidade que é uma instituição onde as pessoas estão todas institucionalizadas porque já não têm condição para ter outro tipo de resposta”, adiantou.

Para Rita Valadas, “o grande desafio é encontrar a resposta adequada ainda antes da institucionalização”.

“Temos que dar prioridade aos idosos, mas dando-lhes uma vida normal, não é criando guetos onde não convivem com pessoas de outras idades, não valorizam a vida as outras idades com a sua cultura e experiência e não vivem, sobrevivem”, rematou.