Quatro estruturas sindicais da PSP decidiram hoje realizar ações de protesto, como manifestações, de 31 de agosto até ao final de setembro, para mostrar indignação pela falta de aprovação do estatuto profissional da PSP.

Dirigentes da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), do Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP), do Sindicato Independente dos Agentes da Polícia (SIAP) reuniram-se hoje de emergência para decidir ações de protesto para contestar a não aprovação do estatuto profissional, pelo Governo.

As ações foram divulgadas pelo dirigente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), Paulo Rodrigues, no final da reunião.

Em causa está a falta de aprovação das alterações ao Estatuto da PSP com que, segundo Paulo Rodrigues, o Governo se comprometeu há quatro anos e que continua por aprovar.

“Tendo em conta que o Governo se comprometeu com os polícias a aprovar estas alterações, que apesar de serem poucas são importantes, e tendo em conta que o Governo está a faltar à palavra, não nos resta outra alternativa se não desenvolver um conjunto de ações de protesto para dizer claramente que o Governo não está a merecer a confiança dos profissionais da polícia”, disse.


“Não é aquilo que é desejável, mas é o possível, e essas alterações são alterações extremamente importantes e é isso que vamos defender”, frisou.

Entre estas ações, que coincidem com a campanha eleitoral para as legislativas de 04 de outubro, contam-se manifestações, a começar no final de agosto, que se prolongarão até ao final do mês de setembro, “em vários pontos do país”, disse Paulo Rodrigues.

Sobre as ações a realizar, o dirigente da ASPP/PSP disse apenas que serão "acordadas” segundo o que entenderem “ser o melhor protesto”.

Paulo Rodrigues acusou o Governo de faltar à palavra que manteve com os polícias, já que estes foram informados de que, a 30 de julho, o processo estava fechado, pelo que acreditaram que, no final desse mês, “havia todas as condições para aprovar” as alterações do Estatuto da PSP.

“É preciso dizer o que de facto está a entravar o processo, é isso que está a faltar, não chega dizer que se está em negociações”, frisou o dirigente da estrutura sindical, a propósito de declarações da ministra da tutela.


Na segunda-feira, em Macedo de Cavaleiros, a ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues, disse que o Governo está a trabalhar na redação dos estatutos das forças de segurança, "em detalhes de redação e também a acertar outros detalhes com outros ministérios", relativamente às alterações.

“A acreditar no comentário da ministra, depois das eleições ainda continua o processo em curso”, disse Paulo Rodrigues.

O dirigente da ASPP/PSP responsabilizou ainda o Governo por os protestos coincidirem com a campanha eleitoral.

“Quem nos empurrou para este período foi o próprio Governo, nós estamos a defender a aprovação do estatuto, independentemente de estarmos em campanha eleitoral ou não - esse não é o nosso problema”, acrescentou.


“O que é importante é que os polícias digam de forma clara que o Governo não é de confiança nesta matéria, que não cumpriu, com os polícias - isso, vamos fazê-lo todos os dias durante o mês de setembro”, frisou.

A partir de segunda-feira, as quatro estruturas sindicais da polícia que, segundo Paulo Rodrigues, representam mais de 80% dos polícias, vão também apelar aos profissionais para que “façam mais pedagogia, não façam repressão, ou seja, repressão zero”, se não estiver em causa o maior interesse público ou a vida de qualquer cidadão.

Vamos apelar aos colegas que, até final de setembro, se cinjam a fazer "mais prevenção ou exclusivamente prevenção", porque é preciso que os polícias deem um sinal claro de que não podem concordar com um governo que diz e não faz, que se compromete e não cumpre", referiu.

Questionado pelos jornalistas sobre se iam encetar ações de luta com a GNR - que também ainda não viu aprovadas as alterações ao estatuto -, Paulo Rodrigues admitiu ser um “cenário possível”.

“Não está posta de lado a possibilidade" uma vez que vão encetar conversações com estruturas similares da GNR, admitiu, sublinhando, no entanto, que, de momento, a prioridade é a PSP.