A associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) considerou hoje que a GNR vai ficar com um efetivo «envelhecido» e «desgastado», com a redução do período na reserva de cinco para dois anos.

A APG reagia às declarações do ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, no parlamento, durante a discussão do setor da segurança interna, do Orçamento do Estado para 2014, em que afirmou que o período dos militares da GNR na reserva vai ser reduzido de cinco para dois anos, de forma progressiva.

O presidente da APG, César Nogueira, disse à agência Lusa que a reserva é uma «forma de compensar» o número de horas que os militares trabalham, além de estarem sujeitos diariamente ao «risco de vida e ao desgaste extremo».

César Nogueira recordou que os militares trabalham mais do dobro das horas permitidas por lei.

Nesse sentido, sublinhou que, com a redução do período na reserva, a GNR vai ficar com um efetivo «envelhecido» e «desgastado» para ocorrer às diferentes situações.

«O que as pessoas vão ver no terreno é um homem de 55 anos a correr atrás dos criminosos», sustentou, alertando que está em causa «os níveis de qualidade da segurança pública».

Sobre a admissão de 400 novos elementos para a GNR em 2014, César Nogueira afirmou que este número já estava previsto para este ano e não se concretizou.

«Para este ano estava prevista a entrada de 800 novos elementos, mas só entraram 370», disse.

De acordo com o programa orçamental da segurança interna para 2014, o número de elementos da GNR na reserva passou dos 1.982, em 2009, para os 6.570, em 2013, representando mais de 23 por cento do número total de militares da Guarda Nacional Republicana.

Segundo a APG, os militares estão na reserva «por direito próprio», tendo trabalhado, durante três décadas, «mais de 100 horas por semana sem receberem mais por isso» e ¿o único benefício¿ foi a passagem à reserva.