O SOS Racismo condenou hoje a atuação da Polícia de Segurança Pública (PSP) nos desacatos junto ao centro comercial Vasco da Gama, no Parque das Nações, na quarta-feira, nos quais foram detidos quatro jovens.

Em comunicado, o SOS Racismo considera que «o caos só foi possível graças à intervenção da PSP», que, face à «concentração de jovens negros no local», originou «uma ação tão musculada da polícia».

«Perante uma rixa entre meia dúzia de pessoas, a PSP entendeu abordar o episódio de forma diferente, varrendo literalmente o Centro Comercial, montando um aparato anormal e, pelo que podemos ver pelos vídeos que circulam nas redes sociais, impedindo todos aqueles que não fossem brancos de entrar no Vasco da Gama», pode ler-se no comunicado.

Os desacatos, que provocaram ferimentos ligeiros em cinco polícias, «são mais uma evidência do racismo flagrante na atuação das forças de segurança em geral e, neste caso em particular, da PSP».

«São inúmeras as situações de aglomerados de jovens por todo o país, em particular em período de férias de verão, são vários os furtos em espaços públicos e muitas as discussões e altercações que não ocasionam nunca nenhuma intervenção policial tão violenta como aquela ocorrida no Centro Comercial Vasco da Gama. E portanto, a única diferença deste caso residiu na cor da pele dos jovens que ali se encontravam», acrescentou o SOS Racismo.

A organização acentuou a «impunidade do racismo institucional e da violência e abuso de poder que grassa entre as forças de segurança» e questionou: «O que leva a PSP a impedir a mobilidade de jovens e a utilizar a força, só por serem negros?».

«Tais comportamentos não são admissíveis num Estado de Direito, como não é admissível que a PSP plante falsas notícias na imprensa, criando pânico e alarme social para justificar a sua atuação desproporcional e violadora dos princípios básicos de igualdade», refere-se na nota.

Por isso, o SOS Racismo desafiou Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial «a tomar uma posição pública de repúdio e condenação da atuação da PSP» e exigiu ao Ministério da Administração Interna «que apure todas as responsabilidades, agindo em conformidade, punindo severamente os responsáveis por forma a que não se volte a repetir semelhante atuação».

Os incidentes ocorreram na tarde de quarta-feira, num chamado «meet» de centenas de jovens, convocada pelas redes sociais.

Dois dos quatro detidos vão ser julgados em processo sumário na segunda-feira, por resistência e coação a agente de autoridade, e as duas jovens ficaram sujeitas a apresentações periódicas às autoridades, acusadas de posse de arma branca utilizada durante o roubo de um telemóvel e uns óculos a uma menor de 15 anos.

Os quatro arguidos têm idades entre os 16 e os 23 anos foram detidos durante uma desordem ocorrida na zona do Parque das Nações, que provocou ferimentos ligeiros em cinco polícias, tendo um jovem de 15 anos ficado com uma perfuração na zona lombar, após ter sido agredido com uma chave de fendas.