A GNR está a ir às igrejas para sensibilizar pessoas de todas as idades contra os incêndios e reduzir o número de ocorrências, uma iniciativa que, em Vila Real, conta com a ajuda dos bombeiros e autarquia.

As operações lançadas pela Guarda Nacional Republicana, “Ignição zero” e “Floresta segura”, decorrem até 14 de maio, um dia antes da entrada em vigor da fase Bravo de combate a incêndios florestais, a segunda mais crítica.

Os militares estão a contactar diretamente as populações, passar por escolas, juntas de freguesia e também igrejas, sempre a insistir na mensagem de que é preciso “ter o máximo de cuidado quando se utiliza o fogo”.

Para conseguir chegar ao maior número de pessoas, a GNR pediu a colaboração da igreja e, no final de algumas celebrações religiosas, os guardas sobem ao ambão, o local de onde se fazem as leituras, para alertarem para a problemática dos incêndios florestais.

Foi o que aconteceu hoje, em Vilarinho da Samardã, no concelho de Vila Real.

Aqui, o cabo António Sampaio, do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), afirmou à agência Lusa que as igrejas funcionam como um meio para a informação chegar a mais pessoas e de todas as idades.

“O mais importante é que a nossa mensagem seja passada para a população”, salientou.

António Sampaio disse que a prevenção visa “mudar comportamentos para que o uso do fogo seja feito de uma forma mais cuidada e com mais responsabilidade”.

No distrito de Vila Real, verificaram-se 608 ocorrências durante todo o ano de 2014, número que já foi ultrapassado nestes primeiros meses de 2015, com 665 ignições entre janeiro e o dia 04 de maio.

Segundo o militar, a maior parte dos casos ocorre devido “ao uso indevido do fogo nas queimas agrícolas, que depois se descontrolam e provocam incêndios florestais”.

Por isso, aconselhou a que os agricultores façam pequenos amontoados dos sobrantes e faixas de contenção à volta, que tenham sempre água perto e em conta o risco de incêndio previsto para o dia.

À saída da missa, os bombeiros da Cruz Branca de Vila Real e técnicos da Câmara distribuíram panfletos e camisolas pelos paroquianos.

“Nós entendemos que faz todo o sentido estarmos envolvidos nestas ações, até porque somos depois a face visível no combate”, afirmou à Lusa o comandante Orlando Matos.

O responsável referiu que o concelho de Vila Real “tem sido muito fustigado” pelos incêndios, sobretudo pelo facto de “existir muito combustível perto das habitações”.

“Os espaços agrícolas foram deixando de ser cultivados e vão crescendo os matos. Isso leva a que os incêndios se aproximem cada vez mais das habitações”, frisou.

Maria da Glória Lagoa, moradora em Vilarinho da Samardã, elogiou a iniciativa da GNR porque os “fogos todos os anos destroem a serra”.

“Era um encanto de pinheiros e todos os anos arde. Mas é pegado, não arde sozinho”, afirmou.

Ana Ferreira Dias acha que as igrejas são um bom sítio para passar a mensagem contra os fogos porque as pessoas acabam por estar “com mais atenção”.

“Só quando há os incêndios é que a gente se aflige, agora toda a gente bota para trás das costas”, referiu.

Para o presidente da União de Freguesias de Adoufe e Vilarinho da Samardã, Carlos Pitrez, foi uma boa ideia usar as missas até porque, lembrou, às vezes faz reuniões nas quais ninguém aparece.

“É uma boa maneira de a informação chegar mais facilmente às pessoas”, frisou.

No entanto, o autarca lamentou que, apesar das ações de prevenção realizadas, sejam poucos os que procedem à limpeza dos matos e florestas.

“Enquanto não for alguém punido a sério continua a ser um flagelo aqui na região. Ninguém limpa nada”, frisou.

No âmbito destas operações, os militares estão também a contactar diretamente os proprietários para a limpeza dos terrenos junto às habitações. Depois, a partir do dia 15 de maio, a GNR volta a passar pelos mesmos locais já em ações de fiscalização, passando autos de contraordenação a quem não cumpriu.