A Autoridade Marítima vai fazer uma análise interna à operação de busca e salvamento no naufrágio de um arrastão na Figueira da Foz, disse hoje fonte daquela entidade."Nós temos uma análise interna muito rigorosa para analisar o procedimento do empenhamento operacional e a forma como a operação foi realizada. Porque isso para nós funciona, também, como lições aprendidas", disse à agência Lusa Nuno Leitão, porta-voz da Autoridade Marítima.


Frisando que a busca e salvamento "não é uma ciência exata", Nuno Leitão afirmou que um dos objetivos da análise interna é "poder observar os procedimentos que foram adotados e avaliar o correto processo em termos de operação".

O responsável da Autoridade Marítima assumiu que se na análise que for feita forem detetadas falhas "serão imputadas responsabilidades" e a Marinha possui "processos internos" para o fazer.

Nuno Leitão assumiu ainda que da mesma maneira que poderão existir falhas, também existem operacionais que poderão vir a ser louvados na atuação.

Sobre o desempenho do agente da Polícia Marítima que, apesar de estar de folga, tripulou uma moto de água e salvou dois dos sete tripulantes do arrastão naufragado, Nuno Leitão, frisou que "arriscou a sua própria vida de uma forma calculada, ponderada, mas conseguiu salvar duas pessoas".

"Podem [os críticos da atuação da Autoridade Marítima] estar a olhar para as falhas, mas devem sim estar a olhar para os sucessos", advogou.

Nuno Leitão disse ainda que Portugal "é um dos países do mundo com melhor taxa de sucesso" nas operações de busca e salvamento: "Andamos nos 98% de sucesso, os Estados Unidos têm menor taxa do que nós".

O naufrágio ocorrido na terça-feira provocou uma morte, havendo ainda quatro pescadores desaparecidos. Foram resgatadas duas pessoas com vida e as buscas no local estão a decorrer através de meios marítimos, terrestre e um helicóptero.