A ministra da Justiça afirmou hoje que o reforço de efetivos da PJ é uma "prioridade absoluta" e revelou estar "a trabalhar ativamente nesse sentido", em articulação com o diretor nacional da PJ e o Ministério das Finanças.

Francisca Van Dunem falava aos jornalistas no final da cerimónia de posse, em Lisboa, dos novos diretores adjuntos da Polícia Judiciária (PJ) e de outros responsáveis de unidade daquele polícia de investigação criminal.

Quanto aos meios humanos, a ministra referiu que vai entrar em breve na PJ um grupo de 120 elementos, observando que, no passado, houve períodos longos sem admissões nesta polícia, o que agravou o problema, com a aposentação e saída de profissionais com experiência.

"Temos a noção da prioridade absoluta do reforço de efetivos da PJ", disse Francisca Van Dunem, referindo que o Governo pretende aumentar a capacidade de meios humanos desta polícia de acordo com uma avaliação que deve ser feita periodicamente.

A este propósito, referiu que "a lógica do Governo" para a PJ é a de haver "admissões regulares, anuais ou bianuais", por forma a permitir uma melhor integração e trabalho entre as diferentes gerações, com passagem de conhecimento e saber.

Além do reforço de meios humanos, Francisca Van Dunem reconheceu ainda a necessidade de investir em meios tecnológicos da PJ e na reabilitação de algumas das instalações, observando que a PJ "não é só Lisboa", uma ideia anteriormente partilhada pelo diretor nacional, Luís Neves, ao intervir na cerimónia.

Segundo a ministra, o Governo "tem investido na PJ e vai continuar a fazê-lo", indicando, a título de exemplo, a "instalação da nova Unidade de Combate ao Cibercrime".

Questionada sobre se o ministro das Finanças está sensibilizado para as necessidades orçamentais e financeiras da PJ, Francisca Van Dunem respondeu que Mário Centeno está recetivo e "conhece a problemática" e as carências desta polícia, cuja missão é "estratégica" para que Portugal continue a ser um "espaço de paz e tranquilidade".

Ao intervir na cerimónia, Luís Neves disse ter encontrado "compreensão da tutela" sobre a necessidade de capacitação de meios humanos e de outros meios para a PJ e prometeu incrementar e estreitar a cooperação desta polícia com todas as forças de segurança do país, bem como com as Forças Armadas, cuja ajuda no combate ao tráfico de droga é essencial.

Empenho, coesão e espírito de missão de todos os profissionais da PJ foram outros vetores do discurso do diretor nacional da PJ, que disse estar "certo, seguro e convicto" das escolhas que realizou para formar a direção da PJ.

Antes, Carlos Farinha, um dos três novos diretores adjuntos, defendeu a rentabilização dos recursos humanos "sem ignora as carências atuais" e falou da necessidade da PJ enfrentar "cada problema como uma oportunidade e não apenas como uma dificuldade".

Na cerimónia realizada na sede da PJ em Lisboa, Carlos Farinha, Veríssimo Milhazes e Luísa Proença tomaram posse como novos diretores-adjuntos da PJ, integrando a equipa de Luís Neves, que assumiu as funções de diretor nacional da PJ em 16 de junho.

Carlos Farinha era diretor do Laboratório de Polícia Científica desde 2009 e Luísa Proença trabalhava desde dezembro de 2015 no gabinete da secretária de Estado da Justiça a exercer funções de responsável pelos fundos europeus para a justiça, enquanto Veríssimo Milhazes era, desde 2012, diretor da Unidade de Informação de Investigação Criminal da PJ.

Das novas nomeações constam ainda a de Carla Falua para subdiretora da diretoria de Lisboa e Vale do Tejo e de Alexandra Milhazes para diretora do Laboratório de Polícia Científica (LPC), até agora dirigido por Carlos Farinha.

Para diretora da Unidade Nacional Contraterrorismo, lugar anteriormente desempenhado por Luís Neves, foi nomeada Manuela dos Santos, até agora coordenadora dessa unidade.