A Polícia Judiciária anunciou, esta quarta-feira, a detenção de um homem suspeito de um crime de incêndio florestal ocorrido a 4 de agosto em Lagoa, no Algarve, aumentando para 37 o número de pessoas detidas este ano pela autoria deste crime.

A detenção foi feita pelo Departamento de Investigação Criminal de Portimão, após identificar o homem, de 37 anos, alegadamente responsável por atear mais de uma dezena de focos de incêndio numa zona de costa e mato do concelho de Lagoa, referiu a Polícia Judiciária (PJ) num comunicado.

O arguido terá desencadeado, com recurso a chama direta, 12 focos de incêndio numa área de mato, a qual termina nas falésias situadas entre as praias de Benagil e da Marinha. O maior foco de incêndio resultou numa área ardida de cerca de 10.000 metros quadrados”, precisou a PJ.

O detido vai ser presente em tribunal para ser submetido ao primeiro interrogatório judicial e ficar a conhecer as eventuais medidas de coação, acrescentou a PJ, frisando que “no corrente ano já identificou e deteve 37 pessoas pela autoria do crime de incêndio florestal”.

Fonte da diretoria do sul da PJ disse à agência Lusa que a detenção foi feita em Lagoa e que o detido “não tem antecedentes criminais por fogo posto” e “nem há registo clínico de qualquer problema mental”.

“Os focos de incêndio foram ateados no mesmo dia e localizados no mesmo período de tempo. À medida que se deslocava ia ateando os focos de incêndio”, explicou a mesma fonte.

Os fogos provocaram a destruição de uma zona de costa utilizada para passeios pedonais e conhecida como o percurso dos Sete Vales Suspensos, que se estende ao longo de 5,7 quilómetros de arribas.

Segundo a informação divulgada pela Câmara de Lagoa, este percurso “desenvolve-se ao longo de uma linha quase contínua de arribas, apenas interrompida por linhas de água que, na sua maioria, desembocam acima do nível do mar, dando origem aos vales suspensos que emprestam o nome ao percurso”.

Cada vale suspenso esteve, num passado distante, associado à foz de uma linha de água e testemunha a intensa erosão a que esta orla costeira está sujeita, já que deve a sua formação a um recuo rápido do litoral não acompanhado pelo entalhe da linha de água”, pode ainda ler-se na descrição destes percursos.

Fonte dos bombeiros de Lagoa disse à Lusa que estes focos de incêndio acabaram por destruir a vegetação local e estruturas de madeira que balizavam o percurso, mas não tiveram consequências de maior devido à “pronta resposta” dos bombeiros, que “detetavam visualmente as novas ignições” à medida que faziam o combate dos focos já ateados.